terça-feira, 28 de maio de 2013

Cascais e as memórias...

Quando eu era criança minha avó nos levava num sítio em Friburgo de uma amiga dela portuguesa residente do Rio de Janeiro. Ia aquele bando de crianças, amontoados no carro ou no ônibus, para passarmos uns dias naquele local bucólico e mágico. De vez enquando chovia e o carro atolava na entrada que era de terra, e tínhamos todos que colocar sacos no pé e irmos andando para a casa com lama até o joelho. A casa era branca com janelas azuis e um jardim florido por onde corríamos, subíamos em árvores pedras, brincávamos cantávamos e sorríamos. A noite a brincadeira era gato mia miou com as luzes apagadas, e dormíamos todas na sala numa enoooorme cama feita no chão.
Na hora do lanche a portuguesa fazia um delicioso bolo de banana (que eu amava) e sentávamos todos em volta da mesa. Eu gostava de sentar do lado daquela moça de sotaque engraçado e ouvir ela contar histórias. Ela passava 6 meses no Rio/Friburgo e 6meses em Portugal, sempre fugindo dos invernos. Ela se hospedava na casa da minha avó no Rio e sempre que voltava de Portugal trazia chocolates e histórias de suas viagens. Eu ouvia encantada tudo que ela tinha para contar de cada lugar, e ficava sonhando com o dia em que eu faria essas viagens.
Hoje estou aqui na sua terrinha, e fui passar o dia com ela na cidade de Cascais, onde ela mora. Uma pequena cidade de praia, um balneário. Nos encontramos em Lisboa e pegamos um comboio (trem em português português rs). No caminho fomos conversando sobre sua última viagem, um cruzeiro para os países nórdicos. A viagem não é muito longa, uns 50minutos no comboio. Chegando em Cascais andamos um pouco pelo centro e demos uma espiada nas praias. Fomos almoçar num lugarzinho gostoso que ela costuma a ir, e depois pegamos um ônibus e subimos para a casa dela. Ela mora na parte nova da cidade, prédios parecidinhos, casas bonitas, jardins e uma vida simples mas muito agradável. O apartamento de 2 quartos (um para ela e um para neta quando vai nos fins de semana) é grande e gostoso, claro e ensolarado decorado com objetos adquiridos pelo mundo a fora. Logo embaixo um mercadinho onde ela compra todo dia seu pão, pastel de nata e ás vezes uma sopa para esquentar, e onde compramos nosso lanche da tarde. Andamos muitos por lá, sentamos num café com uma vista surreal para o mar, e ficamos conversando sobre nossas viagens passadas e futuras. Guida me contou mais sobre sua vida. Como o pai a criou meio como menino, e a levava para passear de barco e deixou ela viajar com 18 anos de mochilão pela Europa com uma amiga, algo impensável para época. Contou sobre seu mestrado em literatura, os 6 meses que passou em Colônia e os 6 meses que passou em Londres. Contou também o carinho especial que tem pela minha avó, sua melhor amiga, e meus olhos encheram d'água.
No final do dia tomamos chá na sua casa com pãozinho, queijos deliciosos e um pastel de nata que eu poderia comer uns 50 de tão bom, tudo ali do mercadinho em baixo da sua casa. Falamos sobre minha avó e meu avô, histórias e mais histórias, viagens e mais viagens. Guida é uma mulher vivida, viajada e alegre. Hoje foi um dia tão gostoso com uma pessoa que está do lado esquerdo do meu coração desde que me entendo por gente. E me deixa feliz e emocionada de ter conhecido sua vida do lado de cá do oceano, e poder, agora, ver o quanto eu estou realizando aquele sonho de menina de viajar como aquela moça do sotaque engraçado. Sexta feira eu sigo para Berlin e Guida segue para Turquía, e em outubro vamos nos reencontrar no Rio e partilhar mais de nossas viagens com um belo chá chocolates e minha avó ao nosso lado para nos dar mais alegria.
Cascais é uma cidade lindinha, com praias bonitas e um mar que dá vontade de morar lá dentro! No verão deve ser um escândalo!
Hoje me deu saudade das primas no sítio, do bolo de banana, da minha avó, e do meu amado avô! E voltei no comboio sorridente e com os olhos cheios d'água das memórias boas que tenho com todos eles e das histórias que terei para contar pros meus filhos e netos e amigos de netos das minhas aventuras mundo a fora, assim como a Guida.

Lisboa, ó menina!

Lisboa é uma bela cidade. Vou começar esse post constatando o quão bela é Lisboa. Mas agora vamos aos fatos.
Cheguei aqui na sexta tarde da noite, e depois de um cansativo dia de viagem não tinha energia para mais nada. Além disso não via minha amiga Camila, que está me hospedando, há mais de 1 ano, então precisávamos colocar a conversa em dia e foi isso que fizemos.
Sábado amanheceu um lindo sol e calor! Calor para os Liboetas, para nós calorzinho de inverno, sabe? Um casal de amigos da família me ligou e disse: hoje está calor, queremos pegar uma praiana, anima? Eu, uma turista facinha facinha, respondi animadíssima "claro! praiana portuguesa, vamos lá!'. A Camila tinha uma questão familiar em Porto, que é umas 3h de carro daqui, e não ia poder me levar para passear, mas achou que eu estava indo para uma grande roubada "uma carioca indo a praia em Lisboa?" Sim! Eu não sou grande frequentadora da praia no Rio, achei um belo programa de sábado, começar a viagem pegando uma corzinha e dando um mergulho. Até fiquei ligeiramente vermelhinha no rosto, mas o mergulho... vai ter que ficar para o Rio mesmo porque a água aqui é congelante! Mal consegui colocar o pézinho. A praia era bonita. A companhia foi excelente!
Domingo foi dia de caminhar pela cidade. Fui ao Panteão, uma bela igreja com uma vista espetacular. Andei pela Praça do Comércio, vi onde aos naos paravam quando chegavam em Lisboa, o palácio onde residia o rei, e caminhei caminhei caminhei com a Camila que precisava resolver algumas coisinhas. A noite fomos num restaurante chamado Sea Me, uma peixaria peixaria moderna onde você pode, se quiser, comprar o kg do peixe e eles prepararem. Eu escolhi um prato do cardápio mesmo, achei mais simples, e estava uma delícia.
Venta muito aqui em Lisboa! Um vento surreal que quase te derruba no chão. E é um vento gelado, não há casaco que segure, pelo menos não para uma carioca mal acostumada. Mas no sol faz bastante calor, e é seco seco.
Segunda-feira o dia esfriou um pouco, saí sozinha de casacão e blusa de manga comprida, mas a tarde ficou muito calor, e a noite frio de novo. Fui ao Elevador Sante Justa, que te leva para um belo miradouro. Atravessando uma passarela tem um convento em ruínas lindo, mas ontem estava fechado então não pude entrar. Depois almocei com a Camila num lugar fofo chamado Fábula, com uma estante bela de livros e mesas e cadeiras antigas. E de lá segui para o Castelo de São Jorge.
Quando eu era criança adorava história de castelos e princesas e cavaleiros e reis e rainhas e dragões e espadas. Amava ficar pensando nas roupas e na decoração dos castelos. Mesmo uma mulher feita, não há nada que me fascina mais do que ir a museus de costumes e castelos. O Castelo de São Jorge é uma ruína, pouco do verdadeiro castelo sobrou ali. Mas seus muros e torres estão de pé e te dão uma noção de como era antigamente, e claro, você usa sua imaginação para ligar os pontos e construí-lo em sua cabeça (e brincar um pouco de Game of Thrones, o seriado para adultos que foram crianças como eu).
A caminho do Castelo parei nos Portões do Sol. Um belo miradouro! E fui caminhando para o castelo, mas... não achava! E pensava "como um castelo pode sumir assim?" E pode! Toda a vez que viajo vejo como o Rio de Janeiro é bem sinalizado. Andei para o lado que achava que deveria. Como uma boa viajante solitária, e uma pessoa que curte mapas, eu já tinha o mapa de Lisboa na minha cabeça e total senso direção, subi para o lado que achei que deveria. Mas Lisboa apesar de uma cidade fácil de se andar (como o Rio você pode sempre se guiar pelo mar, no caso aqui pelo rio Tejo) não é tão obvia, e suas ruelas e ladeiras lhe confundem. Subi pra um lado e nada de Castelo e nada de turistas. Opa! Centro turístico, se afastou dos turistas, volta! Lição que um carioca dá a um gringo na cidade maravilhosa, e que eu sempre tento segui-la, afinal já tive más experiências em viagens e pretendo não ter novamente. Lisboa é uma cidade bem segura, mesmo! Mas eu prefiro não pagar para ver. Ainda assim entrei numa ruela e em outra sozinha e acabei achando o belo Castelo.
Fim de tarde um encontro com a Joanna, prima da prima, que mora aqui há quatro anos mas fala sem o menor sotaque português, e com muito orgulho segundo ela. Me levou para comer pão de deus na Padaria Portuguesa (ai minha dieta), um pão doce com um pouco de coco delicioso. Depois ela me levou num... Miradouro!
Agora um parênteses para falar sobre essa peculiaridade Lisboeta. É assim: um monumento um miradouro, um elevador um miradouro, uma praça um miradouro, uma igreja um miradouro, um bar um miradouro. E assim vai se passeando e vendo as diversas vistas, não tão diversas assim, mas lindas de Lisboa e suas 7 colinas.
Voltando a programação do dia de ontem, fomos ao miradouro de São Pedro de Alcântara, vista linda para a cidade e o castelo, e depois num bar/restaurante Lost In, com uma vista linda e uma decoração incrível meio indiana meio sei lá o que, com grandes varandas e mesas e bancos e sofás que são camas partidas ao meio. Uma cervejinha com uma cia agradabilíssima para fechar o dia com chave de ouro!

sábado, 25 de maio de 2013

O Medo e Madrid

Realmente medo é uma coisa totalmente irracional que te leva aos pensamentos mais mórbidos e te paralisa. Quinta-feira meu medo quase me paralisou. De repente me peguei aos prantos porque teria que entrar num avião mais tarde naquele dia, e durante toda a viagem terei de entrar em 7aviões. Liguei para pai, mãe, que me acalmaram um pouco. E por muitos momentos durante essas horas de pânico eu quase desistir de viajar. Mas pensava também, que se desistisse nunca mais me perdoaria, e que se desistisse dessa vez quando mais eu teria coragem de entrar novamente num avião? Meu pai falou: minha filha, a cabeça vai caraminholando mesmo, pensa em outras coisas senão o medo domina o pensamento. Minha mãe falou: não se entregue para o medo! E foi lá no aeroporto me deixar. Eu grogue de remédio já, mas foi tão importante ela ter ido... Acho que sozinha num taxi eu teria desistido e voltado. Mas ela não me deixou desistir! Não deixou eu me entregar ao medo! (obrigada mãe! E obrigada pai também que falou palavras reconfortantes ao telefone).
Entrei no avião grogue grogue que não vi o avião subir. Acordei já lá em cima com um simpático companheiro de viagem que puxou papo e conversamos até depois do jantar, quando eu apaguei e só acordei com a aeromoça me cutucando para me servir o café da manhã, péssimo diga-se de passagem! E o mais engraçado é que percebi que o rapaz sentado ao meu lado, que se assumiu claustrofóbico, estava mais nervoso do que eu. Santo frontal!
Cheguei sã e salva em Madrid! Linda Madrid... Fui direto a casa de Josy e passei o dia com ela. Não fiz nada turístico, afinal de contas já conhecia Madrid. Mas Josy fez o dia mais agradável possível e me levou para almoçar a beira de um rio. Frio na sombra calorão no sol, o céu estava azul e o dia belíssimo! Matei um pouco a saudade da minha irmã do coração, e da bela Madrid. Bebi tinto de verano e comi paella.
Voltei para o aeroporto sem remédio, mas com um pouco de vinho atuando na mente (outro santo remédio). Deu medinho no avião mas o vôo foi tão curtinho que nem deu tempo do pânico tomar conta, ou eu que já tinha dominado o medo.
Opá, Lisboa!!!
Peguei um taxi do aeroporto e... levei um volta do taxista. Camila já tinha me avisado, mas eu quando entrei no taxi não vi o taxímetro, e era um senhor muito educado que colocou no gps a rua que eu ia e eu vi que ele estava seguindo o caminho do Gps direitinho, então não me preocupei. Mas daí quando ele me cobrou, ulalá! 23euros! E a Camila tinha me dito que era no máximo 15euros. Mas eu fiquei meio assim de já sair discutindo uma coisa que eu nem tinha certeza, deixei quieto e paguei os 23euros. Paciência... lição aprendida! Taxistas na terrinha são uns bons de uns biscos!

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Roma parte 3 Londres parte 1


Sábado eu e Elisa decidimos fazer um almocinho italiano em casa com erva doce que eles comem muuuuito aqui. Depois fomos a uma exposição de figurinos de grandes estilistas para peças, óperas filmes e etc. Lindíssima! Muita sorte ter achado essa expo aqui. Após a expo, saímos andando pelas ruas e nos perdemos numa super promoção de sutiens numa loja enooorme só de underwear. Um experiência quase antropológica! Mil italianas correndo e se debatendo pelos sutiens que estavam custando a bagatela de 5euros. Claro que eu e Elisa não resistimos e fizemos algumas comprinhas. 

Fim de tarde fomos para o aperitivo, que é sair para beber antes do jantar. E a noite fomos jantar na casa de um casal de amigos da Elisa. Risoto com zuchinni mega picante, eles comem tudo com muita pimenta calabresa. Saí de lá soltando fogo pelas ventas!!! Depois jantar decidimos jogar um jogo: Trivia Quiz em Itáliano! É tipo um master, jogo de perguntas e respostas. Nos dividimos em grupos e o meu grupo era das brasileiras: eu, Elisa e Juju. Aí testei minha grande sabedoria da língua italiana. Não sei como, nem porque, nem quando e nem onde, mas eu aprendi italiano! Pasmem!!! Eu entendia todas as perguntas! e tudo que eles falavam! Só uma palavra ou outra que eu perdia. A Elisa ficou revoltada perguntando como eu já conseguia entender tudo, que ela tinha demorado meses para aprender. Eu respondi: nem eu sei Elisa! Deve ter entrado por osmose ou sei lá! O fato é que se eu ficasse mais umas semaninhas já estaria parlando italiano! 

Domingo fui na Galleria Borghese, um museu na casa da família Borghese que eu não sei quem foram porque não tinha nada explicativo sobre a família no museu, ou eu não vi. O museu é muuuito bonito! A casa é incrível. Um jardim lindo. Muitas obras bacanas, como as esculturas de Bernini, alguns quadros do Caravaggio.

De noite minhas amadas italianas me levaram para jantar num restaurante de frutos do mar do lado de casa.
No dia seguinte peguei o trem para o aeroporto. Minha querida anfritriã me levou até o trem onde nos despedimos num caloroso e já saudoso abraço. 
Cheguei no aeroporto e fui fazer o check in na British Airways. Cheguei às 17:45, 1h antes do meu voo, e o check in já estava fechando! Os caras nem colocaram minha mala na esteira, já saíram levando ela de carrinho pro avião. Tive que sair correndo porque o gate fechava às 18:10. Peguei uma puta fila na migração, um trem pra chegar no gate (esses europeus adoram trem dentro dos aeroportos rs) e quando finalmente cheguei no gate eles estava chamando meu nome e de um outro cara: Gregório e Fulano, last call! Eu e o tal fulando saímos correndo que nem dois loucos. Ufa! entrei no avião!!! Pra que? Pra ficar uma meia hora esperando dentro do avião!!! Esses ingleses são pisicos com horário!!! 
O início do vôo foi uma merda! Uma puta turbulência, avião caindo no vácuo. Eu quase histérica! Tive que tomar rivotril, não teve jeito. Juro que tentei ficar sem, mas do jeito que aquela jeringonça chacoalhava não deu pra não tomar. Passada a turbulencia fui assistindo um filme numa tv própria na frente da minha poltrona. Um luxo essa british!!!

Cheguei em Londres mas... minhas malas gostaram muito de Roma e decidiram ficar lá mais um diazinho. Eu fiz a reclamação e eles na mesma hora localizaram ela. Fui para casa do Dimitri de mãos abanando. rs Pelo menos passei menos perrengue no metro. Cheguei no Dimitri, estavam todos em casa me esperando, inclusive Manu que veio me encontrar aqui. 

Ontem eu e Manu fomos na Tate Modern, passando um friiiiio na rua! Depois fomos em Covent Garden fazer compras já que meu seguro saúde dava seguro de mala perdida atrasada e extaviada, então tinha 145 euros pra shopping! Fiz a festa na H&M!!! rs

Voltamos pra casa do Dimitri e dormimos mais uma noite lá. Hoje trocamos de casa e viemos pra casa do meu amigo de escola Gilles, que num bairro muito gostoso com aquelas casinhas típicas inglesas. Hoje de manhã estava 4graus! Mas um sol e um céu lindos!!! O fog inglês deu uma trega para eu Manu passearmos em paz. rs

Estou adorando Londres!!! E minha companheira de viagem!