Quando a viagem do grupo acabou ficou um certo vazio, sabe?! Mas alguns amigos ficaram em Israel um pouco mais também, e o vazio não ficou tão grande assim. Pegamos um quarto num hostel em Tel Aviv, dormimos os 6 num só quarto. Um dos meninos estava super doente, e passei a noite acordando para ver se ele estava bem. Acordamos cedo, ainda no ritmo do grupo, e fomos pra Jerusalém. Andamos pela parte árabe que não fomos com o grupo e entramos no que dava para entrar da Mesquita. Sendo nós judeus e não muçulmanos, só podemos entrar nos jardins da Mesquita, mas mesmo assim vale muito a pena. A visitação só abre 1h por dia, entre 12:30 e 13:30. Nos perdemos pelos corredores do quarteirão árabe da cidade velha, que parece mais um labirinto, mas conseguimos chegar a tempo. Para entrar lá o esquema de segurança é maior que para entrar no Muro das Lamentações. Os guardas pedem seu passaporte, revistam sua bolsa, passam a bolsa no raio x e você passa pelo detector de metal. Ah! e se a mulher tiver com alguma parte do corpo descoberta eles pedem para cobrir, mas a cabeça não precisa ser coberta.
Entramos no jardim, que é lindíssimo, e pareceu que mudamos de cidade. Muitos muçulmanos, mulheres de burca. O jardim é lindo e a Mesquita é um escândalo de bonita, decorada por fora em tons e padrões lindíssimos, e a cúpula dourada é um espetáculo a parte.
Voltamos para Tel Aviv já a noite. Fomos para um bar. Eu peguei minhas malas e segui para o aeroporto pegar meu vôo para Istanbul.
Em Istanbul combinei de encontrar uma amiga que mora em Paris, Marília. Não quisemos ficar num hostel para não gastar muito dinheiro com hospedagem, decidimos fazer couch surfing. Couchsurfing é uma site, rede social, em que pessoas que tem um sofá ou cama sobrando em casa oferecem hospedagem em troca de um sorriso para viajantes. Daí você se inscreve no site, procura hosts na cidade que você quer, vê se ele tem boas referências e começa uma conversa. Achamos 3 casas para ficarmos durante nossa semana em Istanbul. Infelizmente ninguém podia nos hospedar a semana inteira então tivemos que ficar trocando de casa, o que no final das contas foi bem legal porque conhecemos várias partes da cidade que talvez só como turistas não teríamos conhecido.
Cheguei umas 2h antes da Marília, e por um erro meu na hora de comprar o ticket, cheguei num aeroporto do outro lado da cidade. Então combinamos de nos encontrar no Taksim, um ponto bem central onde os ônibus do aeroporto chegam. Na tal praça de cara achei um Starbucks e corri pra ele, ufa! um porto seguro com wi-fi e capuccino. 1h, 2h, 3h, e nada de Marília. Começou a bater um certo pânico. Eu não tinha o endereço, nome, nem nada do rapaz que ia nos hospedar, já estava olhando no booking.com algum hostel nas imediações. Mas finalmente Marília chegou! E o dono da casa também. Seguimos com ele para o apartamento que ficava numa parte chique da cidade, Besiktas. Nesse apartamento moram 2 casais (3 eram turcos e 1 americana), e é enorme! Tinhamos um quarto só nosso, o que deu um alívio e conforto. Eles pediram uma comida típica de lá, uns bolinhos que parecem almondegas mas não são feitos de carne, você amassa no pão pita com salada e enrola, um pouco picante mas uma delícia! E fomos dormir pois estávamos exaustas da viagem.
No dia seguinte o despertador ainda no "fuso horário taglit" então tocou super cedo. Virei pra Marília e disse: não tenho condições de acordar cedo hoje! E dormi finalmente! Acordamos às 11h da manhã e nossos queridos hosts tinham feito um mapinha de como sair da casa e pegar o metro. Eles avisaram que era longinho mas decidimos andar pois assim se vê a cidade. Andamos e andamos e andamos e 40min depois chegamos no metro. Ok, a gente não tinha entendido que era tão longe, mas tudo era tão lindo que quase não sentimos o quanto andamos.
Chegamos a grande praça onde de um lado tem a Mesquita Azul e do outro a Hagia Sofia. Primeiro entramos na Mesquita, onde todos me disseram ser incrível. Enrolamos um pano na cabeça pois lá mulher só de cabeça coberta, e entramos na mesquita na nossa versão muçulmana. Por tudo que as pessoas me disseram eu sabia que era lindo lá dentro, mas superou todas as expectativas. É um escândalo de bonito! Entramos num final de uma reza, mulheres num cercadinho vestindo as saias e rezando, homens num cercadão lindo ajoelhados num tapete maravilhoso.
Sentamos num bar na saída da mesquita para um chai e um narguile. Fomos na Cisterna Basílica e depois no Grand Bazaar olhas as belas coisas que vendem por lá. Mil vendedores vindo nos oferecer melhores preços, promoções, melhores produtos. Tem que fazer pesquisa de preço senão acaba caindo em cada roubada... Mas fomos espertas e só compramos o que realmente queríamos muito e na loja que nos ofereceu melhor custo benefício e bom atendimento. De noite tentamos encontrar o amigo argentino de uma amiga minha num bar em um bairro cheio de ladeiras e becos. Em Istanbul várias ruas repetem o nome mas trocam o logradouro, então o bar era numa rua x, mas tinha na mesma área a avenida x, a travessa x, e beco x e por aí vai. Então demoramos 3h pra achar o certo, caímos em becos, subimos e descemos mil ladeirar gigantes, e quando finalmente chegamos no bar todos estavam tomando a saideira, tomamos a iniciadeira e pegamos fôlego pra descer tudo, pegar o metro e andar mais 40min até em casa.
Dia seguinte fomos para na Hagia Sofia. Acordamos tarde e na andança até o metro fomos nos perdendo em lojas e comidinhas típicas então chegamos ligeiramente tarde lá. Achamos bonito mas nada demais. Sentamos num café e fomos convidadas pelo garçon para um drink a noite. Sentamos em um outro e o mesmo aconteceu, percebemos que era um padrão lá: oi, tudo bem? de onde são? brasil? que maravilha! muito bonitas! tem planos para a noite? gostam de narguile? tem um bar muito legal podemos ir lá tomar uns drinks e fumar narguile! OI??? Achavamos bem estranho esse comportamento masculino, principalmente em Sultanahmet, bairro turístico e tradicional onde circulam mulheres de burca e seus maridos de jaqueta de couro e calça jeans.
A noite mudamos de casa. Dessa vez para um bairro um pouco mais afastado, mas a casa era a 5min da linha central do metro, ufa! Dois rapazes de vinte e poucos anos eram nossos hosts e foram nos buscar a noite na estação de metro. A área é divida entre residencial e comercial com galpões e oficinas mecânicas. Os meninos uns amores pegaram nossas malas e foram carregando em direção a casa. Entramos numa rua, e viramos a direita, e já não tinha mais nenhum ser humano na rua, eu comecei a ficar desconfiada. De repente para um carro branco na nossa frente e na porta de uma grande garagem aberta, saem vários homens de dentro e abrem o porta malas, eu parei na rua e pensei: pronto, agora que serei vendida como escrava sexual! Mas não, saíram mais uns caras do prédio todos carregados, os meninos seguiram direto e chegamos no apartamento super fofo deles sãs e salvas! Então fomos badalar com os meninos que conheciam todos os points da cidades e nos levaram para um tour em bares e clubs escondidos em prédios, super undergrounds e divertidíssimos! Chegamos todos quase carregados em casa após muitos shots de tequila e muita dança.
Acordamos com um belíssimo café da manhã que os rapazes preparam pra gente. Pães, ovos mexidos, queijos, chai, e muitas conversas sobre a cultura turca e a religião muçulmana.
Passamos o dia em Taksim para compras e a noite encontramos um amigo que fiz em Israel. Mais bares mais comida típica, e uma boa noite de sono. Dia seguinte dia de mudança de novo. E lá fomos nós com a mochila nas costas! Saímos da casa dos meninos ao meio dia pois eles iam viajar, e tivemos que esperar até às 16h para encontramos o novo host. Decidimos ir já para o bairro onde ficaríamos, Kadiköy, no lado asiático de Istanbul. Fomos logo pra lá de ônibus, paramos num café, ou no que achávamos que era um café, para esperar o rapaz. Não tinha menu no local pois só serviam um tipo de comida e chai. Pedimos então um chai, mas o moço não falava inglês e falamos "chai" e apontamos pra mesa do lado, ele então perguntou algo que não entendemos, claro, e o outro moço da outra mesa falou num inglês tosco se gostávamos de sorvete e dissemos que sim. O moço acenou que sim com a cabeça e saiu garçom saiu. Virei pra Marília e disse: não tenho idéia do que pedimos! Veio então um prato com um treco que eu já mais tinha visto, numa massa bem crocante, recheada de queijo bem derretido com pistache e o tal sorvete! Era gostoso mas bem gorduroso. O rapaz chegou e fomos pra casa dele. Dessa vez um músico dividindo apartamento com um amigo que não vimos nunca, e tínhamos um quarto só para nós de novo. Perdemos o dia nessa brincadeira e a noite só saímos para comer ali por perto.
Penúltimo dia eu quis ir no Topkapi Palace mas Marília não quis ir então nos separamos. O museu é bem bonito, mas super caro pra entrar! Eu curti o passeio. A noite fomos num restaurante chique de frutos do mar bem gostoso.
Último dia fez um frio horroroso! 0 graus e um vento de matar. Marília foi embora de manhã e meu vôo era só a noite, então saí pela cidade com meu amigo de Israel. Não conseguimos fazer muita coisa na rua por causa do frio, então passamos o dia sem muito rumo parando em cafés e se entupindo de chai pra esquentar. A noite segui para o aeroporto para voltar a Israel.
Fui embora de Istanbul sabendo falar apenas 1 palavra: Merhaba, que é Olá em turco. Acho que gastei toda a minha capacidade linguística com o hebraico e o turco ficou defasado. rs
Istanbul é lindíssimo! Por causa das mudanças de casa não conseguimos fazer tudo o que queríamos, mas vejo isso como um bom motivo para voltar!
terça-feira, 6 de maio de 2014
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
Lindo e Bélico.
Israel é um país super seco,e no dia do museu do Holocausto esqueci de tomar água, e acho que gastei toda a água do meu corpo chorando, então no fim do dia eu estava quase que totalmente desidratada. A noite teve um mega evento do Taglit com grupos de vários países e shows e discurso presencial do primeiro ministro de Israel no qual todos chamam carinhosamente de Bibi. Logo para todos os isreaelenses que eu falava meu nome eles perguntavam: Bibi como o primeiro ministro? Pois é... eu sou xará de apelido do primeiro ministro de Israel. Mas eu, totalmente desidratada, fiquei sentada o evento inteiro me sentindo super quente e me entupindo de água. Lição aprendida!
Algumas coisas sobre os dias anteriores que esqueci de contar. A tenda beduína no meio do deserto era bem próxima a uma base da aeronáutica. Durante toda a noite ouvimos caças sobrevoando nossas cabeças, e de vez em quando eles soltavam umas bolas meio de fogo que parece que servem para despistar misseis, essa parte era treinamento, claro, mas o resto é real pois eles ficam sempre de olho em tudo o que se passa. Foi um dos primeiros momentos que sentimos o conflito de forma real.
No dia seguinte seguimos para o norte. Fomos num lugar lindo Rosh Hanikrá, na fronteira com o Líbano, umas grutas lindas com um mar num tom de azul maravilhoso. Vimos a base exatamente na fronteira, e tinha uma placa dizendo que era área militar e não podia tirar fotos, mas saiu um soldade de lá de dentro todo sorridente e começou a posar para as fotos, muito engraçado.
Continuamos o dia em Tzfat, a cidade da Kabala. Nos levaram num spa feito para o Micvê, um ritual de purificação que se resume num banho em águas naturais. Falando em linhas gerais é um ritual feito 1 semana depois que a mulher parou de menstruar, ela se limpa profundamente e depois entra nessa piscina de água natural e tem que afundar completamente pelo menos uma vez, e é um momento íntimo no qual elas rezam, refletem sobre a vida e principalmente sobre o relacionamento com o marido. Lá conversamos muito com as mulheres sobre a relação do judaísmo com o casamento, sexo, relacionamento. Foi super interessante! Eles tem uma visão bem bonita do que é o amor e o casamento. Depois dessa aula fomos andar pela cidade e aprendemos que na cidade da Kabala o povo é super ortodoxo e retrógrado ao ponto de olhar feio pra gente, xingar se alguma mulher estiver com alguma parte do corpo aparecendo, e até ser contra o estado de Israel pois esse não segue as leis ortodóxas, extremistas até dizer chega! E isso que eu achei que lá só teria judeu maluco beleza da Kabala, que é super interessante diga-se de passagem, e claro que seus seguidores não são como os extremistas que vivem na cidade.
A noite fomos para um Kibutz aonde iríamos dormir. Jantamos no grande refeitório e nos acomodamos nos quartos em casinhas fofas. Depois tivemos uma atividade com uma palestrante animadíssima que falou em 1h a história musical de Israel, e nos ensinou danças típicas e modernas de lá. Foi uma animação só! Rolamos de rir e dançamos de nos acabar! Tinham mais dois grupos do taglit nessa noite lá, um de São Paulo e um de São Francisco, e eles tinham instrumentos e ficamos a noite tocando e cantando e bebendo vinho e socializando e rindo. Foi uma das noites mais gostosas e divertidas!
No dia seguinte acordamos super atrasados e enressacados, parecíamos zumbis no refeitório do café da manhã. Os outros dois grupos do Taglit eram da idade normal do programa (de 18 a 26 anos) e a gente ficou brincando na noite anterior que iríamos ensinar a eles como se faz uma festa. Dito e feito festejamos mais do que eles. Mas no dia seguinte... a garotada arrasou com os véios! Eles lá flanando pelo café da manhã todos sorridentes e nós atrasados descabelados de óculos escuros, enjoados e quase morrendo! rs
Subimos as colinas do Golan. A subida é super tensa pois a estrada é estreita e com curvas muito acentuadas e super íngreme. Golan são colinas que ficam bem na fronteira entre Israel e a Síria, era território Sírio até a guerra dos 6 dias em 1967, quando Israel conquistou o local. Durante a subida pode-se ver ainda tanques de guerra, bunkers, carros e caminhões explodidos e abandonados, e cercas com placas: cuidado!campo minado! Um cenário que eu jamais achei que fosse ver na vida, tão real e tão próximo. Me deu um aperto no peito e uma vontade de chorar. No alto da colina visitamos um antigo bunker, e lá de cima víamos a fronteira com a Síria. De repente escutamos o som de uma bomba! Todos levaram um puta susto e estremeceram na base. A Síria está em guerra civil, e nosso guia explicou que de vez em quando os rebeldes ou os soldados soltam bombas, e ouvimos mais uma segunda bomba antes de descer. Depois disso ficamos em silêncio por alguns minutos. A realidade dos conflitos no Oriente Médio ia a cada dia ficando mais real.
Saindo do bunker fomos para um parque ainda nas colinas do Golan, e lá fizemos um momento de despedida dos soldados que estavam viajando com a gente. Discursos, brincadeiras, jogos e muitas gargalhadas. O lugar era lindo, um campo cheio de pedras, parecia que estava andando as margens de um rio que você tem que ficar pulando de pedra em pedra, só que era na terra firme.
A noite fomos para Jerusalém e era nossa noite livre para uma baladinha na cidade! Fomos num bar super underground e na mesa do lado um judeu super tradicional bebendo uma cerveja, coisas que só acontecem na terra santa!
Sexta-feira acordamos e fomos para o quarteirão judaico na cidade velha e, é claro, para o Muro das Lamentações! Para se entrar na área do muro tem que se passar por um forte esquema de segurança, quase que como no aeroporto, bolsas e pessoas no raio x. Escrevi meu bilhetinho, bem como haviam me dito para fazer, com meus desejos e agradecimentos e fui lá depositar num buraquinho do muro. Encostei a cabeça as mãos no muro e mentalizei bem forte desejos e coisas positivas. Foi um momento super forte! Nunca achei que fosse sentir essa energia toda nesse local. Chorei. Eu e todo mundo que estava lá comigo e todo mundo que estava lá.
Voltamos para hotel no final da tarde para o jantar de Shabat. Mulheres acendendo velas e fazendo reza. Depois todos se cumprimentam com um caloroso abraço e Shalom shabat! Como não podia deixar de ser, compramos vinhos e ficamos lá curtindo a vida a doidado bem como manda a tradição. rs
No dia seguinte era Shabat então os motoristas não trabalham (quase ninguém trabalha, diga-se de passagem, principalmente em Jerusalém. Geralmente no shabat quem trabalha nos hotéis e lugares que não fecham são os árabes ou outros não judeus), sendo assim saímos a pé pela cidade! Visitamos o parlamento, um parque lindo, um museu, e terminamos o dia novamente no muro. Antes de descermos para o muro, paramos no alto de uma escada com vista para o Muro e para a Mesquita, que fica atrás do muro e tem a cúpula mais linda do mundo toda de ouro, e a lua estava bem atrás da mesquita gigante e linda. Nosso guia explicando alguma coisa que não estava conseguindo prestar atenção pois o cenário era belíssimo, pensando como não poderia ficar mais bonito, e ficou! De repente a mesquita começa seu canto reza nos alto falantes. São 4 torres com alto falantes e quando é hora da reza eles rezam no alto falante e fica parecendo música, e cada hora o som vem de uma torre, e as vezes elas se misturam aumentando a musicalidade. É lindo demais! E a noite não poderia ficar mais mágica!
Descemos para o Muro e fizemos o ritual de fim de shabat lá. Foi bonito. Essa era a última noite do grupo em Israel. Fomos para o hotel e ficamos lá unidos conversando bebendo vinho, emotivos. O grande grupo naturalmente durante a viagem se separou em 2. A minha parte do grupo ficou unida do início ao fim. Dessa minha parte do grupo 8 tive uma conexão fortíssima, um amor mesmo, sabe? Daquele tipo de amizade difícil de encontrar.
No dia seguinte, último dia, todos acordaram meio calados. Tivemos uma palestra muito interessante no hotel sobre o conflito Israel x Palestina que nos deu uma noção maior e melhor da questão.
Seguimos então para Tel Aviv. Praça Rabin, Memorial de Yiszhak Rabin, onde o primeiro ministro foi assassinado. Depois fomos na sala onde foi proclamada a independência de Israel pelo então primeiro ministro Ben Gurion. E finalizamos o dia com um jantar e uma conversa analise do programa, onde todos ficaram muito emotivos, alguns choraram, outros apenas sentiram
Foi uma viagem mágica. Há alguns anos que queria ir ao Taglit mas já tinha passado da idade, até que ano passado soube desse grupo especial de 27 a 30 e me inscrevi correndo. Já tinha perdido as esperanças de ir e fiquei muito feliz quando rolou essa nova oportunidade. Mas em momento algum achei que essa viagem fosse ser de fato muito incrível. Viagem em grupo grande, tipo excursão, 40 pessoas, achava que não teria ninguém como eu, achava que eu seria a menos judia de todos e tava até envergonhadinha de não saber muito da cultura e das tradições. Mas... a viagem superou todas as minhas expectativas! Conheci pessoas maravilhosas, lugares lindos e incríveis e fortes, passei por muitas experiências e uma montanha russa de sensações e sentimentos e reflexões e realidade. Vi um país que vive num conflito sério e infindável, onde jovens muito jovens já vão para o exército e andam extremamente armados, onde soldados e armas nas ruas é completamente normal. Aprendi uma cultura nova, a cultura em que meu avô foi criado mas que nunca passou para os netos. Aprendi sobre religião, povo, política. Pensei mil vezes sobre o meu avô e como eu queria contar tudo aquilo que estava vivendo para ele, afinal por causa dele que eu estava lá. Me senti sim mais conectada com minhas raízes judaicas, e principalmente com meu avô. Vivi muita coisa interessante, muita coisa forte. E descobri coisas incríveis que levarei para a vida. Viagens são sempre sensacionais, amo viajar, mas essa terá sempre um lugar especial no meu coração.
Algumas coisas sobre os dias anteriores que esqueci de contar. A tenda beduína no meio do deserto era bem próxima a uma base da aeronáutica. Durante toda a noite ouvimos caças sobrevoando nossas cabeças, e de vez em quando eles soltavam umas bolas meio de fogo que parece que servem para despistar misseis, essa parte era treinamento, claro, mas o resto é real pois eles ficam sempre de olho em tudo o que se passa. Foi um dos primeiros momentos que sentimos o conflito de forma real.
No dia seguinte seguimos para o norte. Fomos num lugar lindo Rosh Hanikrá, na fronteira com o Líbano, umas grutas lindas com um mar num tom de azul maravilhoso. Vimos a base exatamente na fronteira, e tinha uma placa dizendo que era área militar e não podia tirar fotos, mas saiu um soldade de lá de dentro todo sorridente e começou a posar para as fotos, muito engraçado.
Continuamos o dia em Tzfat, a cidade da Kabala. Nos levaram num spa feito para o Micvê, um ritual de purificação que se resume num banho em águas naturais. Falando em linhas gerais é um ritual feito 1 semana depois que a mulher parou de menstruar, ela se limpa profundamente e depois entra nessa piscina de água natural e tem que afundar completamente pelo menos uma vez, e é um momento íntimo no qual elas rezam, refletem sobre a vida e principalmente sobre o relacionamento com o marido. Lá conversamos muito com as mulheres sobre a relação do judaísmo com o casamento, sexo, relacionamento. Foi super interessante! Eles tem uma visão bem bonita do que é o amor e o casamento. Depois dessa aula fomos andar pela cidade e aprendemos que na cidade da Kabala o povo é super ortodoxo e retrógrado ao ponto de olhar feio pra gente, xingar se alguma mulher estiver com alguma parte do corpo aparecendo, e até ser contra o estado de Israel pois esse não segue as leis ortodóxas, extremistas até dizer chega! E isso que eu achei que lá só teria judeu maluco beleza da Kabala, que é super interessante diga-se de passagem, e claro que seus seguidores não são como os extremistas que vivem na cidade.
A noite fomos para um Kibutz aonde iríamos dormir. Jantamos no grande refeitório e nos acomodamos nos quartos em casinhas fofas. Depois tivemos uma atividade com uma palestrante animadíssima que falou em 1h a história musical de Israel, e nos ensinou danças típicas e modernas de lá. Foi uma animação só! Rolamos de rir e dançamos de nos acabar! Tinham mais dois grupos do taglit nessa noite lá, um de São Paulo e um de São Francisco, e eles tinham instrumentos e ficamos a noite tocando e cantando e bebendo vinho e socializando e rindo. Foi uma das noites mais gostosas e divertidas!
No dia seguinte acordamos super atrasados e enressacados, parecíamos zumbis no refeitório do café da manhã. Os outros dois grupos do Taglit eram da idade normal do programa (de 18 a 26 anos) e a gente ficou brincando na noite anterior que iríamos ensinar a eles como se faz uma festa. Dito e feito festejamos mais do que eles. Mas no dia seguinte... a garotada arrasou com os véios! Eles lá flanando pelo café da manhã todos sorridentes e nós atrasados descabelados de óculos escuros, enjoados e quase morrendo! rs
Subimos as colinas do Golan. A subida é super tensa pois a estrada é estreita e com curvas muito acentuadas e super íngreme. Golan são colinas que ficam bem na fronteira entre Israel e a Síria, era território Sírio até a guerra dos 6 dias em 1967, quando Israel conquistou o local. Durante a subida pode-se ver ainda tanques de guerra, bunkers, carros e caminhões explodidos e abandonados, e cercas com placas: cuidado!campo minado! Um cenário que eu jamais achei que fosse ver na vida, tão real e tão próximo. Me deu um aperto no peito e uma vontade de chorar. No alto da colina visitamos um antigo bunker, e lá de cima víamos a fronteira com a Síria. De repente escutamos o som de uma bomba! Todos levaram um puta susto e estremeceram na base. A Síria está em guerra civil, e nosso guia explicou que de vez em quando os rebeldes ou os soldados soltam bombas, e ouvimos mais uma segunda bomba antes de descer. Depois disso ficamos em silêncio por alguns minutos. A realidade dos conflitos no Oriente Médio ia a cada dia ficando mais real.
Saindo do bunker fomos para um parque ainda nas colinas do Golan, e lá fizemos um momento de despedida dos soldados que estavam viajando com a gente. Discursos, brincadeiras, jogos e muitas gargalhadas. O lugar era lindo, um campo cheio de pedras, parecia que estava andando as margens de um rio que você tem que ficar pulando de pedra em pedra, só que era na terra firme.
A noite fomos para Jerusalém e era nossa noite livre para uma baladinha na cidade! Fomos num bar super underground e na mesa do lado um judeu super tradicional bebendo uma cerveja, coisas que só acontecem na terra santa!
Sexta-feira acordamos e fomos para o quarteirão judaico na cidade velha e, é claro, para o Muro das Lamentações! Para se entrar na área do muro tem que se passar por um forte esquema de segurança, quase que como no aeroporto, bolsas e pessoas no raio x. Escrevi meu bilhetinho, bem como haviam me dito para fazer, com meus desejos e agradecimentos e fui lá depositar num buraquinho do muro. Encostei a cabeça as mãos no muro e mentalizei bem forte desejos e coisas positivas. Foi um momento super forte! Nunca achei que fosse sentir essa energia toda nesse local. Chorei. Eu e todo mundo que estava lá comigo e todo mundo que estava lá.
Voltamos para hotel no final da tarde para o jantar de Shabat. Mulheres acendendo velas e fazendo reza. Depois todos se cumprimentam com um caloroso abraço e Shalom shabat! Como não podia deixar de ser, compramos vinhos e ficamos lá curtindo a vida a doidado bem como manda a tradição. rs
No dia seguinte era Shabat então os motoristas não trabalham (quase ninguém trabalha, diga-se de passagem, principalmente em Jerusalém. Geralmente no shabat quem trabalha nos hotéis e lugares que não fecham são os árabes ou outros não judeus), sendo assim saímos a pé pela cidade! Visitamos o parlamento, um parque lindo, um museu, e terminamos o dia novamente no muro. Antes de descermos para o muro, paramos no alto de uma escada com vista para o Muro e para a Mesquita, que fica atrás do muro e tem a cúpula mais linda do mundo toda de ouro, e a lua estava bem atrás da mesquita gigante e linda. Nosso guia explicando alguma coisa que não estava conseguindo prestar atenção pois o cenário era belíssimo, pensando como não poderia ficar mais bonito, e ficou! De repente a mesquita começa seu canto reza nos alto falantes. São 4 torres com alto falantes e quando é hora da reza eles rezam no alto falante e fica parecendo música, e cada hora o som vem de uma torre, e as vezes elas se misturam aumentando a musicalidade. É lindo demais! E a noite não poderia ficar mais mágica!
Descemos para o Muro e fizemos o ritual de fim de shabat lá. Foi bonito. Essa era a última noite do grupo em Israel. Fomos para o hotel e ficamos lá unidos conversando bebendo vinho, emotivos. O grande grupo naturalmente durante a viagem se separou em 2. A minha parte do grupo ficou unida do início ao fim. Dessa minha parte do grupo 8 tive uma conexão fortíssima, um amor mesmo, sabe? Daquele tipo de amizade difícil de encontrar.
No dia seguinte, último dia, todos acordaram meio calados. Tivemos uma palestra muito interessante no hotel sobre o conflito Israel x Palestina que nos deu uma noção maior e melhor da questão.
Seguimos então para Tel Aviv. Praça Rabin, Memorial de Yiszhak Rabin, onde o primeiro ministro foi assassinado. Depois fomos na sala onde foi proclamada a independência de Israel pelo então primeiro ministro Ben Gurion. E finalizamos o dia com um jantar e uma conversa analise do programa, onde todos ficaram muito emotivos, alguns choraram, outros apenas sentiram
Foi uma viagem mágica. Há alguns anos que queria ir ao Taglit mas já tinha passado da idade, até que ano passado soube desse grupo especial de 27 a 30 e me inscrevi correndo. Já tinha perdido as esperanças de ir e fiquei muito feliz quando rolou essa nova oportunidade. Mas em momento algum achei que essa viagem fosse ser de fato muito incrível. Viagem em grupo grande, tipo excursão, 40 pessoas, achava que não teria ninguém como eu, achava que eu seria a menos judia de todos e tava até envergonhadinha de não saber muito da cultura e das tradições. Mas... a viagem superou todas as minhas expectativas! Conheci pessoas maravilhosas, lugares lindos e incríveis e fortes, passei por muitas experiências e uma montanha russa de sensações e sentimentos e reflexões e realidade. Vi um país que vive num conflito sério e infindável, onde jovens muito jovens já vão para o exército e andam extremamente armados, onde soldados e armas nas ruas é completamente normal. Aprendi uma cultura nova, a cultura em que meu avô foi criado mas que nunca passou para os netos. Aprendi sobre religião, povo, política. Pensei mil vezes sobre o meu avô e como eu queria contar tudo aquilo que estava vivendo para ele, afinal por causa dele que eu estava lá. Me senti sim mais conectada com minhas raízes judaicas, e principalmente com meu avô. Vivi muita coisa interessante, muita coisa forte. E descobri coisas incríveis que levarei para a vida. Viagens são sempre sensacionais, amo viajar, mas essa terá sempre um lugar especial no meu coração.
sábado, 25 de janeiro de 2014
Israel parte 1
A viagem começou no dia 6 de janeiro. Sai do RJ num onibus noturno para Sp. Uma mala e uma mochila e uma ansiedade que nao acabava. Nervosa pensando no aviao, na programaçao, nas pessoas que ia conhecer.
2 dias no verao escaldante de Sp! Uma mala cheia de casacos. Combinei de rachar o taxi para o aeroporto com duas meninas que viajariam comıgo, mas nao conhecıa nenhuma das duas.
Fomos no taxı ja tagalerando, todas sem conseguır esconder a ansıedade. E de cara combıneı com uma delas de sentarmos juntas no avıao. Prımeıra conexao!
Nos reunımos os 40 vıajantes no aeroporto maıs os 2 madrıchıns (uma especıe de monıtores que vıajarıam com a gente tomando conta do grupo e tendo certeza que tudo fıcasse as mıl maravılhas). Cada um recebeu um numero para facılıtar a contagem do grande grupo. 4h de espera no aeroporto, as 5h da manha o avıao decolou rumo a Istanbul, onde trocamos correndo de avıao e seguımos vıagem para Israel.
Chegamos em Tel Avıv tarde pra chuchu, ate todos pegarem as malas e ırem pro onıbus, chegamos no hotel as 2h da matına e as 6h terıamos que estar acordados! De cara sentımos o rıtımo frenetıco da vıagem.
Prımeıro dıa fızemos uma apresentacao de todos no grupo e depoıs uma atıvıdade bem engracada no estılo colonıa de ferıas. O nosso guıa era um Israelense sorrıdente e uma encıclopedıa humana. Brıncamos corremos dancamos em frente a praıa de Tel Avıv, e como ja era sexta feıra corremos para o hotel fazer o rıtual do ınıcıo do shabat. Duron, nosso guıa, nos explıcou dıreıtınho como funcıonava o shabat, e seguımos os passos dele e dos madrıchıns e depoıs fomos jantar no hotel. Pos jantar todos exaustos mas com pıque o sufıcıente para um vınhozınho e festınha no quarto.
Sabado e o dıa shabat entao fıcamos o dıa ınteıro fazendo atıvıdades de grupo no hotel. Prımeıro pensamento foı: aı que mıco. Cınco mınutos depoıs ja estava todo mundo rolando de rır e fazendo as brıncadeıras propostas pelos madrıchıns felızes da vıda. O grupo aı comecou a se unır.
A noıte fomos badalar em Tel Avıv, bebemos em pubs e dancamos num club dıvertıdıssımo! Uma parte do grupo ıa se unındo cada vez maıs. No dıa seguınte todos sentados no fundo do onıbus! rs
Domıgo chegaram os 4 soldados que ıam vıajar com a gente por 5 dıas. Eles acabaram o servıço mılıtar agora e se juntaram a nos para que tıvessemos esse contato. Apos as devıdas apresentaçoes seguımos para o deserto no sul do paıs! No onıbus fuı sentındo uma pressao no ouvıdo e comeceı a me sentır meıo mal. O deserto eh abaıxo do nıvel do mar, entao a pressao vem com tudo nas nossas cabecınhas. Depoıs de algumas horas de estrada no total deserto chegamos a uma fazenda, ısto mesmo! Uma fazenda no meıo do deserto que crıa cabras e faz um queıjo e um ıogurte delıcıoso. Essas fazendas teorıcamente sao proıbıdas poıs a terra eh do governo, mas eles ja estao entrando em acordos para que os fazendeıros possam fıcar la sem problemas. Voltamos pro onıbus, almocamos numa lanchonete no meıo do deserto (me sentı totalmente em Breakıng Bad) e entao fomos para uma das coısas maıs legaıs da vıagem: andar de camelo!!!! Uma fıla de camelos amarrados uns nos outros com um moco beduıno conduzındo a fıla. Os camelos estavam todos sentadınhos bonıtınhos, daı cada dupla sentava em cıma do camelo e o camelo levantava. Uma sensacao bem esquısıta poıs o camelo eh super alto! Andamos pelo deserto vendo um vısual deslumbrante por uns 20mınutos. Quem sentava na parte de tras do camelo fıcava com a fuca do outro camelo bem coladınha, e eu estava na parte de tras. Ja tınham avısado que os camelos podıam morder, e eu fıqueı com muıta aflıcao, mas o camelo atras de mım era gente fına e nada me fez, ja o camelo atras desse nao teve duvıda e abocanhou o bracınho de uma das menınas do grupo. Ela deu um puta grıto e comecou a pagar um esporro no beduıno em hebraıco, mas fıcou tudo bem com ela, so com um roxınho no braco e uma hıstorıa dıvertıda pra contar.
Descemos do camelo e seguımos para um acampamento beduıno durmır numa tenda com os 40 brazucas, os 2 madrıchıns, os 4 soldados e o nosso seguranca (esquecı de mencıonar que tınhamos um seguranca partıcular vıajando com a gente, novınho, ex soldado, gente boa que agora namora uma menına do grupo rs). 47 pessoas numa tenda beduına no meıo do deserto num frıo desgracado. Mas era tudo bonıtınho, tenda aquecıda, varıas outras tendas ıguaıs do lado com outros grupos de outras partes do mundo, cada tenda com sua fogueıra fora, banheıro com banho quentınho, um jantar tıpıco beduıno delıcıoso, quase hotel de luxo! Senao fosse os colchonetes fınos e o saco de dormır. O cafe da manha parecıa maıs um fılme do hıgh school musıcal: beduın camp! Um monte de amerıcanos de 18 anos todos anımados e falastroes. Cafe da manha reforcado poıs ıamos subır a Massada, uma montanha no meıo do deserto. Agua muıta agua! Nao podemos desıdratar! Subımos a montanha onde no topo tınham as ruınas de um antıgo palacıo romano, que foı tomado pelos judeus que se revoltaram contra o ımperıo romano ate um exercıto romano cercar a montanha e os judeus decıdırem entao que o melhor era morrer com honra, mataram assım suas mulheres e fılhos e depoıs se mataram. Poıs e... fıqueı tao chocada quanto voces com essa hıstorıa! Mas o lugar e lındıssımo e tem uma vısta estupenda. Para subır nem foı tao dıfıcıl mas pra descer... sao tıpo 800degraus! Aı mınhas panturrılhas que acho que doem ate hoje.
Descemos maıs um pouco no nıvel no mar e chegamos no mar morto. Que experıencıa maıs louca nessa vıda!!! Colocamos todos nossos bıquınınhos e sungas e bermudas e nos jogamos no mar! Mas cuıdado que nao pode molhar a cabeca porque se entra agua no seu olho ferrou. A agua eh tao salgada que voce descobre machucadınhos que nem sabıa que exıstıam, arde tudo! E... voce boıa! Se nao da pe nao se preocupe, pra afundar e se afogar voce vaı ter que se esforcar muuuuıto. Parece que sua bunda vırou ınflavel. E uma das sensacoes maıs doıdas desse mundo! Bom demaıs! Saındo do mar voce tem que correr pra um chuveıro poıs alem de salgada a agua eh extremamente oleosa. Voce fıca horas embaıxo do chuveıro e contınua toda oleosa. Os cremes de la que sao maravılhosos, prıncıpalmente pra secura que eh aquela terra. Todo mundo com a boca e o narız super rachados.
De noıte fomos para o hotel e tıvemos uma atıvıdade com os MAdrıchıns, uma conversa sobre o holocausto. Uma preparacao para a vısıta no dıa seguınte ao museu Yad Vashem, Museu do Holocausto.
E foı aı que tıvemos um dos momentos maıs fortes da vıagem. Comecamos a vısıta ao museu com vıdeo depoımento de um sobrevıvente dos campos de concentracao. Todos, sem excessao, choraram de se acabar, mas foı bonıto poıs os amıgos seguraram as maos uns dos outros e assım nos sentımos cada vez maıs como uma comunıdade. O resto do museu foı pesado, alguns choraram, outros fıcaram com os olhos cheıos de agua, e todos muıto pensatıvos. Foı bonıto. Pesado. Nos fez refletır muıto. Nos fez sentır.
Amanha volto a escrever... agora um pouco de sılencıo.
Obs: estou em Istanbul escrevendo num teclado turco entao nao tem acentos, nao eh portugues errado nao! rs
2 dias no verao escaldante de Sp! Uma mala cheia de casacos. Combinei de rachar o taxi para o aeroporto com duas meninas que viajariam comıgo, mas nao conhecıa nenhuma das duas.
Fomos no taxı ja tagalerando, todas sem conseguır esconder a ansıedade. E de cara combıneı com uma delas de sentarmos juntas no avıao. Prımeıra conexao!
Nos reunımos os 40 vıajantes no aeroporto maıs os 2 madrıchıns (uma especıe de monıtores que vıajarıam com a gente tomando conta do grupo e tendo certeza que tudo fıcasse as mıl maravılhas). Cada um recebeu um numero para facılıtar a contagem do grande grupo. 4h de espera no aeroporto, as 5h da manha o avıao decolou rumo a Istanbul, onde trocamos correndo de avıao e seguımos vıagem para Israel.
Chegamos em Tel Avıv tarde pra chuchu, ate todos pegarem as malas e ırem pro onıbus, chegamos no hotel as 2h da matına e as 6h terıamos que estar acordados! De cara sentımos o rıtımo frenetıco da vıagem.
Prımeıro dıa fızemos uma apresentacao de todos no grupo e depoıs uma atıvıdade bem engracada no estılo colonıa de ferıas. O nosso guıa era um Israelense sorrıdente e uma encıclopedıa humana. Brıncamos corremos dancamos em frente a praıa de Tel Avıv, e como ja era sexta feıra corremos para o hotel fazer o rıtual do ınıcıo do shabat. Duron, nosso guıa, nos explıcou dıreıtınho como funcıonava o shabat, e seguımos os passos dele e dos madrıchıns e depoıs fomos jantar no hotel. Pos jantar todos exaustos mas com pıque o sufıcıente para um vınhozınho e festınha no quarto.
Sabado e o dıa shabat entao fıcamos o dıa ınteıro fazendo atıvıdades de grupo no hotel. Prımeıro pensamento foı: aı que mıco. Cınco mınutos depoıs ja estava todo mundo rolando de rır e fazendo as brıncadeıras propostas pelos madrıchıns felızes da vıda. O grupo aı comecou a se unır.
A noıte fomos badalar em Tel Avıv, bebemos em pubs e dancamos num club dıvertıdıssımo! Uma parte do grupo ıa se unındo cada vez maıs. No dıa seguınte todos sentados no fundo do onıbus! rs
Domıgo chegaram os 4 soldados que ıam vıajar com a gente por 5 dıas. Eles acabaram o servıço mılıtar agora e se juntaram a nos para que tıvessemos esse contato. Apos as devıdas apresentaçoes seguımos para o deserto no sul do paıs! No onıbus fuı sentındo uma pressao no ouvıdo e comeceı a me sentır meıo mal. O deserto eh abaıxo do nıvel do mar, entao a pressao vem com tudo nas nossas cabecınhas. Depoıs de algumas horas de estrada no total deserto chegamos a uma fazenda, ısto mesmo! Uma fazenda no meıo do deserto que crıa cabras e faz um queıjo e um ıogurte delıcıoso. Essas fazendas teorıcamente sao proıbıdas poıs a terra eh do governo, mas eles ja estao entrando em acordos para que os fazendeıros possam fıcar la sem problemas. Voltamos pro onıbus, almocamos numa lanchonete no meıo do deserto (me sentı totalmente em Breakıng Bad) e entao fomos para uma das coısas maıs legaıs da vıagem: andar de camelo!!!! Uma fıla de camelos amarrados uns nos outros com um moco beduıno conduzındo a fıla. Os camelos estavam todos sentadınhos bonıtınhos, daı cada dupla sentava em cıma do camelo e o camelo levantava. Uma sensacao bem esquısıta poıs o camelo eh super alto! Andamos pelo deserto vendo um vısual deslumbrante por uns 20mınutos. Quem sentava na parte de tras do camelo fıcava com a fuca do outro camelo bem coladınha, e eu estava na parte de tras. Ja tınham avısado que os camelos podıam morder, e eu fıqueı com muıta aflıcao, mas o camelo atras de mım era gente fına e nada me fez, ja o camelo atras desse nao teve duvıda e abocanhou o bracınho de uma das menınas do grupo. Ela deu um puta grıto e comecou a pagar um esporro no beduıno em hebraıco, mas fıcou tudo bem com ela, so com um roxınho no braco e uma hıstorıa dıvertıda pra contar.
Descemos do camelo e seguımos para um acampamento beduıno durmır numa tenda com os 40 brazucas, os 2 madrıchıns, os 4 soldados e o nosso seguranca (esquecı de mencıonar que tınhamos um seguranca partıcular vıajando com a gente, novınho, ex soldado, gente boa que agora namora uma menına do grupo rs). 47 pessoas numa tenda beduına no meıo do deserto num frıo desgracado. Mas era tudo bonıtınho, tenda aquecıda, varıas outras tendas ıguaıs do lado com outros grupos de outras partes do mundo, cada tenda com sua fogueıra fora, banheıro com banho quentınho, um jantar tıpıco beduıno delıcıoso, quase hotel de luxo! Senao fosse os colchonetes fınos e o saco de dormır. O cafe da manha parecıa maıs um fılme do hıgh school musıcal: beduın camp! Um monte de amerıcanos de 18 anos todos anımados e falastroes. Cafe da manha reforcado poıs ıamos subır a Massada, uma montanha no meıo do deserto. Agua muıta agua! Nao podemos desıdratar! Subımos a montanha onde no topo tınham as ruınas de um antıgo palacıo romano, que foı tomado pelos judeus que se revoltaram contra o ımperıo romano ate um exercıto romano cercar a montanha e os judeus decıdırem entao que o melhor era morrer com honra, mataram assım suas mulheres e fılhos e depoıs se mataram. Poıs e... fıqueı tao chocada quanto voces com essa hıstorıa! Mas o lugar e lındıssımo e tem uma vısta estupenda. Para subır nem foı tao dıfıcıl mas pra descer... sao tıpo 800degraus! Aı mınhas panturrılhas que acho que doem ate hoje.
Descemos maıs um pouco no nıvel no mar e chegamos no mar morto. Que experıencıa maıs louca nessa vıda!!! Colocamos todos nossos bıquınınhos e sungas e bermudas e nos jogamos no mar! Mas cuıdado que nao pode molhar a cabeca porque se entra agua no seu olho ferrou. A agua eh tao salgada que voce descobre machucadınhos que nem sabıa que exıstıam, arde tudo! E... voce boıa! Se nao da pe nao se preocupe, pra afundar e se afogar voce vaı ter que se esforcar muuuuıto. Parece que sua bunda vırou ınflavel. E uma das sensacoes maıs doıdas desse mundo! Bom demaıs! Saındo do mar voce tem que correr pra um chuveıro poıs alem de salgada a agua eh extremamente oleosa. Voce fıca horas embaıxo do chuveıro e contınua toda oleosa. Os cremes de la que sao maravılhosos, prıncıpalmente pra secura que eh aquela terra. Todo mundo com a boca e o narız super rachados.
De noıte fomos para o hotel e tıvemos uma atıvıdade com os MAdrıchıns, uma conversa sobre o holocausto. Uma preparacao para a vısıta no dıa seguınte ao museu Yad Vashem, Museu do Holocausto.
E foı aı que tıvemos um dos momentos maıs fortes da vıagem. Comecamos a vısıta ao museu com vıdeo depoımento de um sobrevıvente dos campos de concentracao. Todos, sem excessao, choraram de se acabar, mas foı bonıto poıs os amıgos seguraram as maos uns dos outros e assım nos sentımos cada vez maıs como uma comunıdade. O resto do museu foı pesado, alguns choraram, outros fıcaram com os olhos cheıos de agua, e todos muıto pensatıvos. Foı bonıto. Pesado. Nos fez refletır muıto. Nos fez sentır.
Amanha volto a escrever... agora um pouco de sılencıo.
Obs: estou em Istanbul escrevendo num teclado turco entao nao tem acentos, nao eh portugues errado nao! rs
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