quarta-feira, 26 de junho de 2013

It's up to you New York, New York

New York City. Depois de morar 6 meses lá, depois de voltar ano passado, como eu ainda tenho o que escrever sobre essa cidade? Pois é... Nyc é dessas cidades que tem sempre o que dizer sobre. Cidade que não pára, cidade que acontece. Em Nyc tudo pode acontecer.
Depois te ser sido muito bem recebida pela imigração e alfândega no JFK, fui acometida por um jet leg que eu jamais havia vivido. São 7h de diferença entre Berlin e Nyc. 7h é hora para caramba, e cheguei exausta, e acordei animadíssima às 4h da manhã, voltei a dormir às 6h e acordei de novo ás 10h, e a noite sono avassalador às 10h da noite. E foi assim durante os primeiros 3 dias. Ah! e um cansaço que não me deixava em paz. Mas eu lutei contra todo e fui para rua.
Acho que já disse isso aqui uma vez, e continuo dizendo: voltar como turista para uma cidade em que já morou é meio estranho. Você não quer fazer exatamente turismo, tem muitos amigos para ver, já conhece a cidade muito bem. Além disso tinham alguns amigos que moram em outros lugares do mundo lá também, então o que mais fiz foi andar pela cidade, comer em bons restaurantes (continuando o projeto "a volta ao mundo em 80 restaurantes") e vendo amigos queridos.
Primeiro final de semana foi de bares, baladas e amigos animados. Sexta começamos num bar russo, Pravda, com um cardápio de vodkas enorme e drinks maravilhosos. De lá seguimos para o Lower East Side, que nunca me decepciona, com seus mil bares baladas e restaurantes. Entramos num club chamado La Caverna, que tinha uma das decorações mais cafonas da face da terra. Sim, era decorada como se fosse uma caverna, com paredes imitando rocha, estalactítes e tudo mais, e ainda uns morceguinhos pendurados. Música até que estava divertida, mas aquela decoração meio Gunnies meio Bat cave foi demais para gente e decidimos mudar de bar. Fomos então ao Fat Baby (ok, os nomes dos bares e clubs de lá não são dos melhores, admito) onde dançamos sem parar até sermos gentilmente expulsas pois a casa iria fechar. Voltar para casa? Nem pensar! Nyc é uma cidade que dorme relativamente cedo, mas 4h da manhã ainda dá para comer uma pizza, então pizza it is!
Sábado ressaca, festinha calminha na casa de amigos. Domingo, bateção de perna de dia e a noite fui jantar com Ashley, minha única amiga americana, e João meu primo, num restaurante muito legal que a Ash reservou chamado Beauty and Essex, no Lower East Side. O restaurante tem uma decoração super legal, meio loja vintage de jóias, a comida é uma delícia, tapas para dividir com todos na mesa. Comemos, bebemos e... "ai meu deus, já é quase meia noite!". De repente vem a garçonete com um cup cake com uma velinha acesa e todos começaram a cantar parabéns para mim! Depois dalí, eu já uma balsaca mas sem perder o espírito jovem, fomos tomar drinks e dançar num club.
E segunda era o dia oficial da trintona aqui, então Juliana fez reserva num restaurante, que por acaso é dos mesmos donos do que tinha ido no dia anterior e tem a mesma pegada: comidinhas para dividir por todos. E claro, Lower East Side! Eu, Juliana, Nicolas, João, Carol para começar, e um cup cake para cantar de novo parabéns, afinal 30 anos merece o máximo de cantorias possível. Depois mais gente se juntou ao grupo (Tran, Baratta, Isabela e o namorado) e fomos tomar drinks num bar.
30 anos em Nyc! Comecei essa nova década bem e sinto que será um ano maravilhoso com muitos amigos, coisas boas e viagens!
A semana passou meio rápido. Fui a Astória visitar um amigo, assisti os jogos da final da NBA, almocei e jantei fora, adicionei um país na lista de restaurantes (Ucrânia) e me diverti. Fui ao Met ver a exposição Punk Chaos to Couture, sobre como a forma de vestir dos punks anos depois chegou nas passarelas de marcas badalas mundo a fora. Incrível! Deu vontade de voltar a estudar moda.
Na sexta tinha combinado de fazer babysitter para uma amiga brasileira que foi para Nyc e ia para Philadelphia assistir ao show dos Rolling Stones. O marido é super fã do grupo, e eles não queriam deixar a pequena de 5meses com uma baba desconhecida, então juntamos o útil ao agradável, fechamos um preço que ficasse bem para todos, pegamos e carro e fomos para Philadelphia. Chegamos lá só deu tempo de almoçar e eles irem para o show e eu voltar para o hotel com a pequena que já estava sonolenta. Ela dormiu cedo e eu fui ver tv, e acabei apagando. De repente sou acordada por um alarme altíssimo e uma voz: attention, there's a fire in building, please go to the emergency exit and follow instructions. Acordei assustada e fui me assustando mais ainda. Troquei de roupa (não sei porque fiz isso, mas achei que era melhor descer de roupa do que de pijama), peguei a bolsa celular e claro, a neném. Todos os hospedes saindo as pressas de seus quartos e andando em direção à escada e saída de emergência. Desci 15, sim quinze andares, com a pequena no colo tampando o ouvidinho dela para ela não acordar com aquele alarme altíssimo. Fomos todos descendo com calma e civilizadamente. Pensei que fosse passar mal em alguns momentos pois estava morrendo de fome e descer aquilo tudo com um bebezinho no colo não é mole não. Chegamos lá em baixo e os bombeiros já estava lá. E pasmem, eles já sabiam que não era nada demais, provavelmente alguém fumou um cigarro no quarto e disparou o alarme. Ufa que susto! E que competência dos bombeiros, fiquei impressionada! Quem dera aqui fosse assim. Voltamos pro quarto, eu tentei me acalmar, o susto tinha sido grande, mas a pequena acordou e chorou muito. Acho que criança sente o nosso nervosismo e o estresse em volta dela, pois a bichinha demorou para dormir de novo. E eu também.
Voltamos no dia seguinte cedo, e eu segui para o Zoo do Bronx, onde sempre quis ir mas acabei nunca indo, encontrar a Carol (minha amiga que mora em Madrid mas está passando 3 meses numa cidadezinha há 1h de Nyc) e o namorado. Eu adoro um zoológico, e sempre que posso visito algum em alguma cidade mundo a fora. O zoo é meio estranho, lindo, mas cada bicho fica há quilômetros de distância do outro, e qualquer coisinha você tem que pagar a mais, até para ver os gorilas! E caímos na asneira de ir num sábado de verão, então estava abarrotado de gente e um calor infernal. Passeamos um pouco, vimos urso e urso polar, tigres, cobras, crocodilos, búfalos, bambis, leão, babuíno, leão marinho e acho que foi mais ou menos isso. Saímos mortos de fome, a comida lá dentro é só fast food e só vendem uns combos caros e grandes mas não o suficiente para dividir e não vende o sanduíche separado, coisa de americano comilão! Fomos correndo para um restaurante perto da casa onde eu estava, um dos meus restaurantes favoritos em Nyc, CornerStone, que serve de brunch a dinner e tudo é uma delícia e com um preço super bacana, e ainda tem jarra de sangria pela bagatela de 15dols.
Domingo dia de brunch, dia de passear pela cidade de dia, e de jantar fora e drinks a noite. Bom, em Nyc todo dia é dia de jantar fora e tomar drinks, rs. Última noite na cidade. E último dia, numa plena segunda, almocei num venezuelano com o João, últimas compras e encomendas. Para varias arrumei a mala nos 45 do segundo tempo, e quando cheguei em casa vi como estava uma bagunça. Entrei no carro para ir para o aeroporto e me bateu uma tristeza. Eu amo Nyc! Eu amo muito Nyc! Mesmo amando Berlin agora também, Nyc não vai sair do meu coração. Novamente não quis ir embora, me deu uma saudade enorme da época que morava lá, me deu uma saudade enorme da vida que eu levava lá, das pessoas, do clima da cidade, até do frio! Foi aí que eu lembrei: ops... não tomei o frontal! Pois é... eu esqueci do medo de voar! Mas assim que lembrei tomei logo meu remedinho, e pouco antes de entrar no avião tomei outro. Mas o avião atrasou mais de 1h e eu fiquei batendo cabeça na sala de embarque. Entrei no avião um zumbi e estava vazio, ninguém ao meu lado, pude dormir e me esparramar, consegui arduamente acordar para jantar, e quase perdi o café da manhã. Cheguei no Brasil e a alfândega nem olhou pra minha cara "droga, podia ter trazido mais coisa!"

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Wir sehen uns bald, Berlin!!!

Os dois últimos dias em Berlim foram calmos. Passeei a pé e um pouco de bicicleta. Fiz compras finais. Saí para beber com uma amiga. E passei uma tarde maravilhosa com minhas primas que estavam me hospedando. Fui almoçar com elas na terça feira e depois fui conhecer o espaço onde Dulce dá aula de dança e o namorado dela, Carlos, dá aula de karate. É um espaço lindíssimo! Assisti a aula dos alunos entre 4 e 5 anos, e depois fui convidada a participar da aula dos alunos entre 8 e 12 anos. E foi tão divertido!!!! Dancei e dancei e dancei e ri muito!
Minha prima Dulce é uma pessoa encantadora que me recebeu de braços abertos na sua casa. Foi solícita e uma companhia maravilhosa no dia a dia com muitas histórias e risadas. Sua filha Cecília, uma menina de 12 anos que já está mais alta que eu, é uma fofura, e ficamos muito próximas, tanto que terça a noite ela dizia "não quero que você vá embora". As duas são uma alegria só e estão sempre dando gargalhadas felizes da vida. Família é uma coisa muito boa, e eu sempre gostei de ter família perto. Agora sinto que minha família aumentou mais ainda, e tenho duas primas que tem um pedação do meu coração! Foi recebida com muito amor! <3
Na terça fim de tarde começou a bater aquela depressãozinha de ter que ir embora. Fui beber com uma amiga para não pensar muito nisso, e o mais estranho é que quando acordei no dia seguinte a tristeza de deixar Berlim era maior do que o medo do avião. De qualquer forma tomei um frontalzinho antes de pegar os dois vôos para Nyc.
Berlim me fisgou de jeito. Tanto que cheguei em Nyc, que eu amo de paixão, e quase não senti nada. Estranho, né?! Bem aquela história: só um novo amor para curar um antigo amor. Meu novo amor tem cheiro de flor no verão, muita neve no inverno, uma primavera florida e um outono com folhas laranjas. Tem bicicletas por todos os lados, poucos carros, nenhum barulho, metro que funciona, comidas boas, pessoas legais, arte muita arte, vida noturna, vida diurna e me acolheu como poucas cidades.
Ir embora nunca é fácil. Eu tenho viajo todos os anos, e não me acostumo nunca, toda vez que vou embora de uma cidade me dá uma dorzinha no peito e uma tristeza. Dessa vez foi um pouco diferente. Me deu uma dor no peito quase que insuportável, uma saudade de uma vida que ainda nem comecei a ter, um desejo de ficar maior que em qualquer outra cidade, salvo Nyc quando vim em 2011 e não voltei. Bateu quase um arrependimento de ter marcado a vinda para Nyc, acredita? Pensei em largar todas as passagens e ficar em Berlim. Pensei em não voltar nunca mais. Deu medo de eu voltar para o Brasil e meu amor por Berlim se perder num dia a dia sem graça. E daí racionalizei: se eu ficar agora será apenas por um curto período. Se eu continuar a viagem, ir para Nyc, curtir meu aniversário lá rodeada de amigos muito queridos, voltar para o Rio e me organizar de verdade, mas de verdade mesmo, focar e traçar uma estratégia, eu volto para Berlim e não será por pouco tempo. Será uma volta mais madura, uma volta com tudo, e de preferência arranhando um alemão para não precisar perder tanto tempo com aulas de lingua e poder fazer algum curso mais bacana.
Então assim resolvido, entrei no avião rumo a Nyc! E só para constar: British airlines, eu quero morar num avião seu! Confortável, comidinha boa, tv própria com ótimos filmes, avião quase sem chacoalhar, equipe de bordo simpática, e entregaram minhas malas mesmo com conexão! Até me arrependi de ter tomado um frontal a mais e não ter curtido melhor as acomodações do avião.
E Nyc não pára nunca de me surpreender! Fui uma das primeiras a sair do avião e quase não peguei fila na imigração. Cheguei no guichê da imigração com aquele sorriso, sempre tentando ser o mais simpática possível para os caras não serem grosseiros, mas... O moço da imigração era a simpatia em pessoa! Perguntou o que eu fazia, eu disse que era figurinista (é o que consta na minha ficha do visto, então stick to the story) e ele ficou dizendo "nossa que legal, deve ser muito divertido" e eu "sim, mas trabalha-se muito também" e ele "é... mas é aquele tipo de trabalho que você nem sente que está trabalhando pois você ama muito o que faz, já não posso dizer o mesmo do meu trabalho". E perguntou "você estava na alemanha? passeando?" Eu disse que sim, que férias as vezes era bom. Ele respondeu: então curta a suas férias, e aproveite seu trabalho pois são poucas pessoas que podem fazer o que se ama". Tudo isso com o tom e o sorriso mais simpático do mundo! Peguei as malas (UFA) e fui para a alfândega, o rapaz "de onde você é?" e eu disse "Brasil" ele "deixa eu adivinhar... Florianópolis?" "Não, sou da cidade mais famosa do Brasil" "Ah! Rio de janeiro! Eu achei que os brasileiros fossem mais..." "Bronzeados? Pois é... eu não vou muito a praia" "Você mora na Alemanha?" "Não não... tava só passeando em Berlim, moro no Brasil mesmo, só não frequento muito a praia." O rapaz todo sorridente e simpático novamente me desejou uma boa estádia em Nyc e fui embora. Oi? Acho que ontem o JFK estava situado num universo paralelo. Ou então Nyc ficou com medo de me perder para Berlin e tratou de fazer sua polícia federal me tratar melhor. Mas não caprichou muito no tempo. Ou a chuva pegou carona no meu avião na escala em Londres. Chuva, vento, comprei um guarda-chuva que em 2minutos virou pra cima com o vento. Tinha esquecido já que em Nyc venta muito também.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Freitag, Samstag und Sonntag

Fim de semana chegou animado. Fui encontrar Ursula sexta de manhã para irmos a um bairro que ela não conhecia muito, e eu muito menos, mas que parecia legal Friedrichshain. Um bairro bem de Berlin oriental, ainda com alguns prédios abandonados e invadidos por jovens e artistas. Uma parte do bairro já está super inn cheio de bares restaurantes e lojas legais. Fomos caminhando e chegamos num pedaço onde era um antigo parque industrial, mas que está abandonado e foi tomado por alguns bares e clubs. Todo grafitado, com vidros quebrados, alguns galpões nem teto tem, e maravilhoso! Exatamente o que se espera achar em Berlin.
Johanna, minha amiga que mora em Dresden, chegou na cidade sexta a noite, e fui direto encontrar ela. Mais de um ano que a gente não se via. Ela estava hospedada com o namorado na casa de uns amigos num bairro chamado Wedding, um lugar com muitos imigrantes e estudantes. Compramos um sanduíche que pelo que entendi é típico daqui, bem comida de rua como o kebab, e também lotado de coisas dentro: molhos, frango, pepino, tomate, alface, cebola, e várias outras coisas que não vou conseguir listar aqui, do tipo difícil de comer mas uma delícia. Sanduíches cerveja e amigos! Sexta-feira tranquila mas deliciosa.  
Sábado é sábado em qualquer lugar do mundo, e em Berlin no verão é mais animado que qualquer outro lugar. Eu Johanna e o namorado dela fomos almoçar em Kreuzberg, andamos um pouco também por Friedrichshain. Depois eles quiseram ir para casa se arrumar para noitada, mas eu já tinha saído pronta pra passar o dia e a noite na rua, então fui encontrar um amigo brasileiro que mora aqui num festa diurna e noturna num lugar bem legal bem no centro de Berlim. Depois de algumas cervejinhas decidimos trocar de lugar e fomos para casa de um dos rapazes do grupo beber e decidir em qual club iríamos. Cervejas, vodkas, suco de laranja, pizza, alemães, brasileiros, australianos, romenos, israelenses e ingleses, tudo mundo junto e misturado na noite berlinense. Andamos para Friedrichshain para um club ás 3h da manhã. A noitada aqui começa tarde, e alguns clubs "escolhem" quem pode ou não entrar. Fizemos toda uma tática de guerra para ninguém ficar de fora, nos dividimos em pequenos grupos e quando chegou a hora do meu grupo entrar o namorado da Johanna deu um pitti e saiu da fila o que custou a nossa entrada no club. Me deu um mega ódio, mas quando entrei no metro para voltar para casa já estava tranquila e pensando que o dia e a noite já tinham sido incríveis e que voltando para casa "cedo" (5h da manhã e totalmente de dia já) conseguiria curtir de verdade o domingão.
E chegou o domingo de sol! Fui com a Dulce a Cecília, o namorado da Dulce Carlos, e uma amiguinha da Cecília para um parque chamado Tempelhofer, um antigo aeroporto construído por Hittler que foi desativado e agora é um parque onde se anda de bicicleta nas pistas de avião, se faz churrasco no gramado, e tem eventos artísticos musicais e muita coisa divertida. Fomos de bicicleta, e eu já não andava de bicicleta há mais de 15 anos! No início não consegui muito, quase caí, fiquei nervosa, tive medo, mas abaixamos o banco e tudo melhorou. Fui ainda meio hesitante, meio insegura, mas em alguns minutos já estava toda feliz e sorridente na bicicleta pensando: mais um medinho superado! E agora me sinto a prova viva de que quem aprende a andar de bicicleta nunca desaprende. E a prova de que a cada viagem supero mais um medo, mais uma barreira e assim vou crescendo e melhorando como pessoa! 

sexta-feira, 7 de junho de 2013

A semana em Berlin

E quando você chega numa cidade e se sente imediatamente em casa mesmo sem falar a língua?
Berlin é uma cidade extremamente democrática, e se você quiser sair pelado com uma melancia no pescoço vai fundo que ninguém vai te julgar ou ficar olhando para você. É uma cidade onde as crianças são aceitas em qualquer restaurante, e ficam andando livremente sem que ninguém diga que aquelas crianças são mal educadas e deveriam estar sentadinhas comportadas, elas são livres e felizes e fofas demais. É uma cidade onde cachorros são extremamente educados e podem entrar em bares restaurantes e até andar de metro. É uma cidade cheia de árvores e parques, onde os carros andam devagar, não tem trânsito e não tem poluição sonora. Berlin é silenciosa, calma, mas ferve. É limpa mas  seus grafittes nas paredes dão um ar urbano. Berlin é cosmopolita, e aberta. E quem iria pensar que eu algum dia sonharia em morar na Alemanha? Confesso que nunca achei que de todas as cidades que eu fui, Berlin seria a que fizesse me sentir mais em casa. Sempre pensei que meu futuro era Londres. Mas não. Acho que meu futuro é Berlin!
Desde que Isabela foi embora, e eu fiquei solita nessa cidade, o que mais tenho feito é ido a museus e caminhado pelas ruas da cidade meio que sem rumo. Gosto de caminhar e ver a cidade como ela é. Fui ao Pergamon, ao Alte Nationalgalerie, Alte Museum, Berlinische Galerie. Andei tanto que meus dedos dos pés estão doloridos.
Quarta fui encontrar a Ursula, amiga da minha mãe que também está de passagem pela cidade. E fomos a mil galerias. Foi um passeio super gostoso e conheci uma parte da cidade que ainda não tinha explorado. Muitas das galerias ficam em prédios antigos reformados por dentro mas com o esqueleto ainda original, e tem prédios que só tem galeria. Como em qualquer lugar do mundo tinha muito arte boa e muita arte ruim. Mas valeu muito o passeio! Depois fomos no Martin-Gropius-Bau ver a exposição incrível do Anish Kapoor. E também na exposição do acervo das industrias Bayer, Von Beckmann bis Warhol, muito bacana também. Caminhei mais um pouco sozinha, fiz comprinhas, afinal de contas eu curto uma roupa boa bonita e barata e muuuuito estilosa, e é o que mais tem aqui! Até a H&M que tem em mil lugares, aqui tem peças mais estilosas e diferentes.
Quinta de manhã passeei pelo bairro onde estou hospedada, Schöneberg, e no parque que tem aqui do lado, Viktoriapark. Que delícia! Isso é realmente genial aqui que em todo lugar tem um belo parque onde todo mundo vai tomar um sol, fazer picnic, beber uma cerveja no gramado. Fiquei lá caminhando pelo parque, sentei no gramado, tomei um solzinho ouvindo música boa no meu ipod. A tarde fui com a Cecília, que tem 12 anos e é mais alta que eu, no zoológico, porque ao contrário de muita gente eu amo zoológico! E já tinham me dito que o daqui era demais. De fato é um belíssimo zoológico. E o mais engraçado de tudo é que tem uma chimpanzé chamada Bibi! O passeio foi ótimo. Minha companheira é uma gracinha de menina que fala português com muito sotaque, fofo demais. Vimos os bichos todos, tomamos sorvete, pegamos o metro e voltamos para casa. A noite encontrei a Ursula para irmos num restaurante vietnamita (que é cheio por aqui) meio badalado num bairro bacana, Mitte. Pedimos cerveja, claro, e rolinhos primavera na massa de arroz de entrada, e escolhemos um prato do dia: aspargos com camarões caramelizados, legumes e macarrão de arroz. Delícia, né?! Senão estivesse bizonhamente apimentado e tivesse deixado minha boca dormente de tão ardida. "Arroz com jasmin pelo amor de deus!" E aí consegui comer mais um pouco, pois o arroz com jasmin quebra o ardido da pimenta, além de ser maravilhoso.
Hoje está um dia lindíssimo. Tem feito dias bonitos e quentinhos. Daqui a pouco mais galerias, dessa vez a céu aberto para aproveitar o sol. A noite chega Johanna minha amiga alemã, que conheci em Nyc, e mora em Dresden. Hoje já é sexta feira e o fim de semana promete ser animado, como Berlin é!

terça-feira, 4 de junho de 2013

E foi amor a primeira vista...

Cheguei em Berlin na sexta feira a noite, bem tarde, umas 23h. Era tarde, eu não queria passar perrengue, já sabia que taxi era relativamente barato então entrei num taxi e... ops! Eu não falo alemão! Mas o rapaz falava um pouco de inglês e eu mostrei o nome da rua anotado, afinal a pronunciar Schwedter Straße não ia rolar. O trajeto foi rápido, e custou barato, 20E. O prédio era uma graça. Nos primeiros dois dias ficaria hospedada no apartamento que uma amiga do Brasil, Isabela, alugou. Parei na porta do prédio de mala e cuia e vi que aqui o interfone não tem o número do apartamento, só nome dos moradores. E agora? Liguei para o brasil e pedi "pai, entra no meu facebook pelo amor de deus e vê o que a Isabela escreveu sobre o interfone" Ele foi fofo e me ajudou, mas nas mensagens de facebook nada havia sobre isso. E estava frio e chuviscando. Ela tinha dito que o prédio era em frente a um mercado e tinha um restaurante também em frente onde ela estaria jantando e me veria quando chegasse. Não tinha nenhum dos dois. "Acho que estou no prédio errado!" Mas era exatamente o número que ela tinha me dado. Por um milagre da tecnologia eu consegui achar um wifi meio público sei lá, que me permitia entrar por 30min de graça. Salvação da pátria! Consegui me comunicar com a Isabela pelo whats app e pegar o número do prédio, que não era 245 e sim 254. Ufa!
O apartamento era lindo! Enorme. Quarto sala cozinha banheiro, mas tudo gigante e reformado lindo. Para não passar a noite em branco fomos num bar na esquina de casa badaladinho e cheio de gente interessante e bonita. Os alemãos são lindos e estilosos. Todos! É de se impressionar até.
Sábado tentamos acordar cedo, mas foi difícil. E estava um tempinho nublado feinho demais. Saímos para tomar café já depois de 13h, e depois fomos nos encaminhando para perto do bar que iríamos tomar uma cerveja no final da tarde, Club der Visionaere. Passeamos pela margem do canal, por um parque, por ruas lindas. Chegamos no bar, um deck dentro do canal, um ambiente gostoso de fim de tarde. Bateu uma fominha atravessamos o canal e almoçamos num restaurante também dentro do canal, comida vegetariana deliciosa. Voltamos pro bar, afinal a noite estava só começando e o bar enchendo cada vez mais. Conhecemos um grupo enorme de franceses que também estavam aqui a passeio, e depois de algumas horas fomos todos para uma boate lá perto, imensa enfumaçada escura e divertidíssima, bem no estilo underground alemão.
Domingo era dia de mudança. Isabela ia embora domingo de manhã, mas seu vôo deu overbook e ela só foi segunda. Então nós duas nos mudamos para a casa da Dulce, prima de são paulo que mora aqui em Berlin há 12anos e na europa há 28. Dessa vez chegamos no lugar certo, mas a Dulce não ouvia o interfone. Frio e chuva. Um pub na esquina foi o salvador da pátria dessa vez, tomamos um café quentinho e pedimos para usar o telefone. Conseguimos contato com a Dulce e ela veio abrir a porta. Ufa de novo!
Ela estava tendo uma festinha em casa, café da manhã com o pessoal que mora no prédio. Esse prédio em que ela mora foram eles que construíram. Esse grupo de pessoas se juntou, fez o projeto e construiu o prédio, que é maravilhoso! Parece que isso é super comum agora, e fica muito mais barato que comprar um pronto. O prédio então tem toda uma preocupação ecológica, e os apartamentos são grandes e amplos, com uma varanda deliciosa. Aqui a maioria dos prédios tem varanda, o que dá um charme maior a cidade, principalmente agora na primavera em que todos tem flores na varanda.
Depois do café da manhã a Dulce nos levou para passear em Kreuzberg. Depois eu e Isabela ficamos andando por lá, sentamos num bar, bebemos weise bier, andamos mais um pouco, entramos numa galeria que estava tendo um happening com performances e você pagava o quanto queria por drinks, voltamos a andar e acabamos no mesmo bar do dia anterior que era agradável.
Isabela foi embora na madrugada de domingo para segunda, e eu fiquei saudosa. Mas... Berlin está aqui e eu vou desbravar essa cidade.
Saí de casa segunda depois do almoço. Como anoitece super tarde não vejo tanta necessidade em sair de casa super cedo. E como aqui todos os museus e afins são pagos e não são baratos, almoçar em casa economiza. Peguei o metro em direção a Berlinische Galerie. Saltei do trem e fui na direção meio errada, mas berlin é muito bem sinalizado, e eu, uma moça tecnológica, havia baixado um aplicativo para celular que é um mapa de berlin offline que me acha pelo meu gps. Demais! Estava tranquila em me perder um pouco, mas me achei e fui na Galerie que incrível. Depois CheckPoint Charlie, aonde era abertura do muro e quem quisesse atravessar tinha que parar ali e pedir permissão. Estranho demais ser um ponto turístico, mas é. E continuei minha caminhada. Portão de Brandeburgo, Estátua o Anjo da Vitória, e um pouco do Tiergarten. Minha pernoca começou a doer e caminhei para o metro mais próximo, me achei nessas mil linhas de metro, e consegui chegar em casa rápido e sem me perder. Já estou me sentindo em casa em Berlin! E completamente apaixonada por essa cidade. E na última vez que isso aconteceu nessa escala eu fiquei 6meses... Quem sabe?

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Sintra, castelos e o último dia

Em Lisboa venta tanto que você acha que vai voar.  O vento é constante e não há como falar de Lisboa sem falar em vento. E da Torre de Belém!
Fui a Belém já no final da tarde e tive que correr um pouco para conseguir ver no mínimo a Torre e o Mosteiro dos Jeronimos. Mas antes de começar o passeio, um pastelzinho de belém por favor! rs
Comecei pelo mosteiro, que é realmente muito bonito mas não me pegou, sabe? Mas a Torre... é linda demais. Senão tivesse chegado tão tarde, e não estivesse chuviscando, teria ficado lá horas olhando cada detalhe e a vista para o rio Tejo. A chuva foi aumentando e como já eram mais de 18h tudo já estava fechando, não consegui ver mais nada peguei um ônibus e fui tomar vinho perto de casa.
No dia seguinte acordei cedo, peguei um comboio e fui para Sintra. Cheguei em Sintra, meio perdida, não sabia muito o que ia encontrar por lá, pedi informação (eu e milhões de turistas) e decidi ir conhecer primeiro o Castelo dos Mouros que eu tinha certeza que seria o que eu mais iria gostar. E batata! Aqueles muros e torres, aquela vista, aquele verde, me tiraram o fôlego! e novamente voltei a ser criança brincando de princesa no castelo imaginário, e me sentindo dentro de Game of Thrones. Teria ficado umas mil horas lá também se... não estivesse, claro, ventando muiiiito! Sintra é na serra, quase uma Petrópolis, então imaginem o frio que faz lá. Depois de quase ser jogada para fora dos muros do Castelo dos Mouros pelo vento, achei que o mais sensato era continuar meu passeio e fui andando em direção do Palácio da Pena. 50 milhões de turistas! Mas o Palácio e os jardins são bonitos demais! Só as fotos que ficam cheias de gente desconhecida, mas tudo bem. Os detalhes de decoração do palácio me encantaram, e eu adoro ver como viviam as pessoas em tempos passados, e nesse palácio pelo visto viviam muito bem. Paredes decoradas com tecidos ou belíssimos azulejos, quartos, salas, casas de banho, tudo belíssimo e interessante. Pensei em de lá seguir para o Chalet da Condessa, que me falaram muito bem, mas quando perguntei para o guarda do palácio como fazia para chegar lá ele me disse: não tem ônibus, tens que andar e é uns 40 minutos de caminhada. Ok, a noção dos portugueses de distância é muito diferente da nossa, e quando você fala que vai fazer alguma coisa andando eles dizem que não dá que é muito longe, mas você vai mesmo assim porque o muito longe é andar 10minutos. Mas... 40minutos achei que mesmo na noção deturpada dos portugueses era minuto para caramba, e naquele vento frio não ia rolar. Peguei o ônibus de volta para o centro de Sintra e almocei por lá num café delicioso, e baratíssimo, um menu do dia com sopa suco de frutas e um prato vegetariano ovos mexidos com aspargos e salada, tudo isso pela bagatela de 5euros! Voltei dormindo no comboio que nem criança depois de um longo passeio e um almoço delicioso.
Aquela seria minha última noite em Lisboa, então a noite é uma criança! Fui jantar numa hamburgueria perto da praça do Chiado com Camila Joanna e Rômulo. Hamburguer e vinho, afinal estamos em Portugal e eu quero mais é beber vinho! Conversamos e rimos muito! O último jantar não poderia ser melhor. Mas... não queria parar a noite ali e eu e Camila fomos a um bar beber mais um vinhozinho e jogar conversa fora.
Chegou o último dia em Lisboa! Passou rápido demais... mas eu ainda tinha algumas horinhas então fui no Jardim das Amoreiras e no Museu Mãe d'Água das Amoreiras, o local de abastecimento de água histórico da cidade que virou um museu e é lindo. E lá do alto dele tem um miradouro lindo!
Almocei num restaurante austríaco no Chiado e saí correndo para o aeroporto pois já estava atrasada. Peguei um taxi, que não me enrolou dessa vez, e paguei a metade do que havia pagado no taxi da vinda hahahahhaha. Tomei meio frontal, entrei no avião, 1:30 de vôo, cheguei em Palma de Mallorca, esperei 1h entrei num novo avião, dormi que foi uma beleza, e finalmente cheguei em Berlin. Mas Berlin é assunto para um outro post.