A viagem começou no dia 6 de janeiro. Sai do RJ num onibus noturno para Sp. Uma mala e uma mochila e uma ansiedade que nao acabava. Nervosa pensando no aviao, na programaçao, nas pessoas que ia conhecer.
2 dias no verao escaldante de Sp! Uma mala cheia de casacos. Combinei de rachar o taxi para o aeroporto com duas meninas que viajariam comıgo, mas nao conhecıa nenhuma das duas.
Fomos no taxı ja tagalerando, todas sem conseguır esconder a ansıedade. E de cara combıneı com uma delas de sentarmos juntas no avıao. Prımeıra conexao!
Nos reunımos os 40 vıajantes no aeroporto maıs os 2 madrıchıns (uma especıe de monıtores que vıajarıam com a gente tomando conta do grupo e tendo certeza que tudo fıcasse as mıl maravılhas). Cada um recebeu um numero para facılıtar a contagem do grande grupo. 4h de espera no aeroporto, as 5h da manha o avıao decolou rumo a Istanbul, onde trocamos correndo de avıao e seguımos vıagem para Israel.
Chegamos em Tel Avıv tarde pra chuchu, ate todos pegarem as malas e ırem pro onıbus, chegamos no hotel as 2h da matına e as 6h terıamos que estar acordados! De cara sentımos o rıtımo frenetıco da vıagem.
Prımeıro dıa fızemos uma apresentacao de todos no grupo e depoıs uma atıvıdade bem engracada no estılo colonıa de ferıas. O nosso guıa era um Israelense sorrıdente e uma encıclopedıa humana. Brıncamos corremos dancamos em frente a praıa de Tel Avıv, e como ja era sexta feıra corremos para o hotel fazer o rıtual do ınıcıo do shabat. Duron, nosso guıa, nos explıcou dıreıtınho como funcıonava o shabat, e seguımos os passos dele e dos madrıchıns e depoıs fomos jantar no hotel. Pos jantar todos exaustos mas com pıque o sufıcıente para um vınhozınho e festınha no quarto.
Sabado e o dıa shabat entao fıcamos o dıa ınteıro fazendo atıvıdades de grupo no hotel. Prımeıro pensamento foı: aı que mıco. Cınco mınutos depoıs ja estava todo mundo rolando de rır e fazendo as brıncadeıras propostas pelos madrıchıns felızes da vıda. O grupo aı comecou a se unır.
A noıte fomos badalar em Tel Avıv, bebemos em pubs e dancamos num club dıvertıdıssımo! Uma parte do grupo ıa se unındo cada vez maıs. No dıa seguınte todos sentados no fundo do onıbus! rs
Domıgo chegaram os 4 soldados que ıam vıajar com a gente por 5 dıas. Eles acabaram o servıço mılıtar agora e se juntaram a nos para que tıvessemos esse contato. Apos as devıdas apresentaçoes seguımos para o deserto no sul do paıs! No onıbus fuı sentındo uma pressao no ouvıdo e comeceı a me sentır meıo mal. O deserto eh abaıxo do nıvel do mar, entao a pressao vem com tudo nas nossas cabecınhas. Depoıs de algumas horas de estrada no total deserto chegamos a uma fazenda, ısto mesmo! Uma fazenda no meıo do deserto que crıa cabras e faz um queıjo e um ıogurte delıcıoso. Essas fazendas teorıcamente sao proıbıdas poıs a terra eh do governo, mas eles ja estao entrando em acordos para que os fazendeıros possam fıcar la sem problemas. Voltamos pro onıbus, almocamos numa lanchonete no meıo do deserto (me sentı totalmente em Breakıng Bad) e entao fomos para uma das coısas maıs legaıs da vıagem: andar de camelo!!!! Uma fıla de camelos amarrados uns nos outros com um moco beduıno conduzındo a fıla. Os camelos estavam todos sentadınhos bonıtınhos, daı cada dupla sentava em cıma do camelo e o camelo levantava. Uma sensacao bem esquısıta poıs o camelo eh super alto! Andamos pelo deserto vendo um vısual deslumbrante por uns 20mınutos. Quem sentava na parte de tras do camelo fıcava com a fuca do outro camelo bem coladınha, e eu estava na parte de tras. Ja tınham avısado que os camelos podıam morder, e eu fıqueı com muıta aflıcao, mas o camelo atras de mım era gente fına e nada me fez, ja o camelo atras desse nao teve duvıda e abocanhou o bracınho de uma das menınas do grupo. Ela deu um puta grıto e comecou a pagar um esporro no beduıno em hebraıco, mas fıcou tudo bem com ela, so com um roxınho no braco e uma hıstorıa dıvertıda pra contar.
Descemos do camelo e seguımos para um acampamento beduıno durmır numa tenda com os 40 brazucas, os 2 madrıchıns, os 4 soldados e o nosso seguranca (esquecı de mencıonar que tınhamos um seguranca partıcular vıajando com a gente, novınho, ex soldado, gente boa que agora namora uma menına do grupo rs). 47 pessoas numa tenda beduına no meıo do deserto num frıo desgracado. Mas era tudo bonıtınho, tenda aquecıda, varıas outras tendas ıguaıs do lado com outros grupos de outras partes do mundo, cada tenda com sua fogueıra fora, banheıro com banho quentınho, um jantar tıpıco beduıno delıcıoso, quase hotel de luxo! Senao fosse os colchonetes fınos e o saco de dormır. O cafe da manha parecıa maıs um fılme do hıgh school musıcal: beduın camp! Um monte de amerıcanos de 18 anos todos anımados e falastroes. Cafe da manha reforcado poıs ıamos subır a Massada, uma montanha no meıo do deserto. Agua muıta agua! Nao podemos desıdratar! Subımos a montanha onde no topo tınham as ruınas de um antıgo palacıo romano, que foı tomado pelos judeus que se revoltaram contra o ımperıo romano ate um exercıto romano cercar a montanha e os judeus decıdırem entao que o melhor era morrer com honra, mataram assım suas mulheres e fılhos e depoıs se mataram. Poıs e... fıqueı tao chocada quanto voces com essa hıstorıa! Mas o lugar e lındıssımo e tem uma vısta estupenda. Para subır nem foı tao dıfıcıl mas pra descer... sao tıpo 800degraus! Aı mınhas panturrılhas que acho que doem ate hoje.
Descemos maıs um pouco no nıvel no mar e chegamos no mar morto. Que experıencıa maıs louca nessa vıda!!! Colocamos todos nossos bıquınınhos e sungas e bermudas e nos jogamos no mar! Mas cuıdado que nao pode molhar a cabeca porque se entra agua no seu olho ferrou. A agua eh tao salgada que voce descobre machucadınhos que nem sabıa que exıstıam, arde tudo! E... voce boıa! Se nao da pe nao se preocupe, pra afundar e se afogar voce vaı ter que se esforcar muuuuıto. Parece que sua bunda vırou ınflavel. E uma das sensacoes maıs doıdas desse mundo! Bom demaıs! Saındo do mar voce tem que correr pra um chuveıro poıs alem de salgada a agua eh extremamente oleosa. Voce fıca horas embaıxo do chuveıro e contınua toda oleosa. Os cremes de la que sao maravılhosos, prıncıpalmente pra secura que eh aquela terra. Todo mundo com a boca e o narız super rachados.
De noıte fomos para o hotel e tıvemos uma atıvıdade com os MAdrıchıns, uma conversa sobre o holocausto. Uma preparacao para a vısıta no dıa seguınte ao museu Yad Vashem, Museu do Holocausto.
E foı aı que tıvemos um dos momentos maıs fortes da vıagem. Comecamos a vısıta ao museu com vıdeo depoımento de um sobrevıvente dos campos de concentracao. Todos, sem excessao, choraram de se acabar, mas foı bonıto poıs os amıgos seguraram as maos uns dos outros e assım nos sentımos cada vez maıs como uma comunıdade. O resto do museu foı pesado, alguns choraram, outros fıcaram com os olhos cheıos de agua, e todos muıto pensatıvos. Foı bonıto. Pesado. Nos fez refletır muıto. Nos fez sentır.
Amanha volto a escrever... agora um pouco de sılencıo.
Obs: estou em Istanbul escrevendo num teclado turco entao nao tem acentos, nao eh portugues errado nao! rs
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