New York City. Depois de morar 6 meses lá, depois de voltar ano passado, como eu ainda tenho o que escrever sobre essa cidade? Pois é... Nyc é dessas cidades que tem sempre o que dizer sobre. Cidade que não pára, cidade que acontece. Em Nyc tudo pode acontecer.
Depois te ser sido muito bem recebida pela imigração e alfândega no JFK, fui acometida por um jet leg que eu jamais havia vivido. São 7h de diferença entre Berlin e Nyc. 7h é hora para caramba, e cheguei exausta, e acordei animadíssima às 4h da manhã, voltei a dormir às 6h e acordei de novo ás 10h, e a noite sono avassalador às 10h da noite. E foi assim durante os primeiros 3 dias. Ah! e um cansaço que não me deixava em paz. Mas eu lutei contra todo e fui para rua.
Acho que já disse isso aqui uma vez, e continuo dizendo: voltar como turista para uma cidade em que já morou é meio estranho. Você não quer fazer exatamente turismo, tem muitos amigos para ver, já conhece a cidade muito bem. Além disso tinham alguns amigos que moram em outros lugares do mundo lá também, então o que mais fiz foi andar pela cidade, comer em bons restaurantes (continuando o projeto "a volta ao mundo em 80 restaurantes") e vendo amigos queridos.
Primeiro final de semana foi de bares, baladas e amigos animados. Sexta começamos num bar russo, Pravda, com um cardápio de vodkas enorme e drinks maravilhosos. De lá seguimos para o Lower East Side, que nunca me decepciona, com seus mil bares baladas e restaurantes. Entramos num club chamado La Caverna, que tinha uma das decorações mais cafonas da face da terra. Sim, era decorada como se fosse uma caverna, com paredes imitando rocha, estalactítes e tudo mais, e ainda uns morceguinhos pendurados. Música até que estava divertida, mas aquela decoração meio Gunnies meio Bat cave foi demais para gente e decidimos mudar de bar. Fomos então ao Fat Baby (ok, os nomes dos bares e clubs de lá não são dos melhores, admito) onde dançamos sem parar até sermos gentilmente expulsas pois a casa iria fechar. Voltar para casa? Nem pensar! Nyc é uma cidade que dorme relativamente cedo, mas 4h da manhã ainda dá para comer uma pizza, então pizza it is!
Sábado ressaca, festinha calminha na casa de amigos. Domingo, bateção de perna de dia e a noite fui jantar com Ashley, minha única amiga americana, e João meu primo, num restaurante muito legal que a Ash reservou chamado Beauty and Essex, no Lower East Side. O restaurante tem uma decoração super legal, meio loja vintage de jóias, a comida é uma delícia, tapas para dividir com todos na mesa. Comemos, bebemos e... "ai meu deus, já é quase meia noite!". De repente vem a garçonete com um cup cake com uma velinha acesa e todos começaram a cantar parabéns para mim! Depois dalí, eu já uma balsaca mas sem perder o espírito jovem, fomos tomar drinks e dançar num club.
E segunda era o dia oficial da trintona aqui, então Juliana fez reserva num restaurante, que por acaso é dos mesmos donos do que tinha ido no dia anterior e tem a mesma pegada: comidinhas para dividir por todos. E claro, Lower East Side! Eu, Juliana, Nicolas, João, Carol para começar, e um cup cake para cantar de novo parabéns, afinal 30 anos merece o máximo de cantorias possível. Depois mais gente se juntou ao grupo (Tran, Baratta, Isabela e o namorado) e fomos tomar drinks num bar.
30 anos em Nyc! Comecei essa nova década bem e sinto que será um ano maravilhoso com muitos amigos, coisas boas e viagens!
A semana passou meio rápido. Fui a Astória visitar um amigo, assisti os jogos da final da NBA, almocei e jantei fora, adicionei um país na lista de restaurantes (Ucrânia) e me diverti. Fui ao Met ver a exposição Punk Chaos to Couture, sobre como a forma de vestir dos punks anos depois chegou nas passarelas de marcas badalas mundo a fora. Incrível! Deu vontade de voltar a estudar moda.
Na sexta tinha combinado de fazer babysitter para uma amiga brasileira que foi para Nyc e ia para Philadelphia assistir ao show dos Rolling Stones. O marido é super fã do grupo, e eles não queriam deixar a pequena de 5meses com uma baba desconhecida, então juntamos o útil ao agradável, fechamos um preço que ficasse bem para todos, pegamos e carro e fomos para Philadelphia. Chegamos lá só deu tempo de almoçar e eles irem para o show e eu voltar para o hotel com a pequena que já estava sonolenta. Ela dormiu cedo e eu fui ver tv, e acabei apagando. De repente sou acordada por um alarme altíssimo e uma voz: attention, there's a fire in building, please go to the emergency exit and follow instructions. Acordei assustada e fui me assustando mais ainda. Troquei de roupa (não sei porque fiz isso, mas achei que era melhor descer de roupa do que de pijama), peguei a bolsa celular e claro, a neném. Todos os hospedes saindo as pressas de seus quartos e andando em direção à escada e saída de emergência. Desci 15, sim quinze andares, com a pequena no colo tampando o ouvidinho dela para ela não acordar com aquele alarme altíssimo. Fomos todos descendo com calma e civilizadamente. Pensei que fosse passar mal em alguns momentos pois estava morrendo de fome e descer aquilo tudo com um bebezinho no colo não é mole não. Chegamos lá em baixo e os bombeiros já estava lá. E pasmem, eles já sabiam que não era nada demais, provavelmente alguém fumou um cigarro no quarto e disparou o alarme. Ufa que susto! E que competência dos bombeiros, fiquei impressionada! Quem dera aqui fosse assim. Voltamos pro quarto, eu tentei me acalmar, o susto tinha sido grande, mas a pequena acordou e chorou muito. Acho que criança sente o nosso nervosismo e o estresse em volta dela, pois a bichinha demorou para dormir de novo. E eu também.
Voltamos no dia seguinte cedo, e eu segui para o Zoo do Bronx, onde sempre quis ir mas acabei nunca indo, encontrar a Carol (minha amiga que mora em Madrid mas está passando 3 meses numa cidadezinha há 1h de Nyc) e o namorado. Eu adoro um zoológico, e sempre que posso visito algum em alguma cidade mundo a fora. O zoo é meio estranho, lindo, mas cada bicho fica há quilômetros de distância do outro, e qualquer coisinha você tem que pagar a mais, até para ver os gorilas! E caímos na asneira de ir num sábado de verão, então estava abarrotado de gente e um calor infernal. Passeamos um pouco, vimos urso e urso polar, tigres, cobras, crocodilos, búfalos, bambis, leão, babuíno, leão marinho e acho que foi mais ou menos isso. Saímos mortos de fome, a comida lá dentro é só fast food e só vendem uns combos caros e grandes mas não o suficiente para dividir e não vende o sanduíche separado, coisa de americano comilão! Fomos correndo para um restaurante perto da casa onde eu estava, um dos meus restaurantes favoritos em Nyc, CornerStone, que serve de brunch a dinner e tudo é uma delícia e com um preço super bacana, e ainda tem jarra de sangria pela bagatela de 15dols.
Domingo dia de brunch, dia de passear pela cidade de dia, e de jantar fora e drinks a noite. Bom, em Nyc todo dia é dia de jantar fora e tomar drinks, rs. Última noite na cidade. E último dia, numa plena segunda, almocei num venezuelano com o João, últimas compras e encomendas. Para varias arrumei a mala nos 45 do segundo tempo, e quando cheguei em casa vi como estava uma bagunça. Entrei no carro para ir para o aeroporto e me bateu uma tristeza. Eu amo Nyc! Eu amo muito Nyc! Mesmo amando Berlin agora também, Nyc não vai sair do meu coração. Novamente não quis ir embora, me deu uma saudade enorme da época que morava lá, me deu uma saudade enorme da vida que eu levava lá, das pessoas, do clima da cidade, até do frio! Foi aí que eu lembrei: ops... não tomei o frontal! Pois é... eu esqueci do medo de voar! Mas assim que lembrei tomei logo meu remedinho, e pouco antes de entrar no avião tomei outro. Mas o avião atrasou mais de 1h e eu fiquei batendo cabeça na sala de embarque. Entrei no avião um zumbi e estava vazio, ninguém ao meu lado, pude dormir e me esparramar, consegui arduamente acordar para jantar, e quase perdi o café da manhã. Cheguei no Brasil e a alfândega nem olhou pra minha cara "droga, podia ter trazido mais coisa!"
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