quinta-feira, 13 de junho de 2013

Wir sehen uns bald, Berlin!!!

Os dois últimos dias em Berlim foram calmos. Passeei a pé e um pouco de bicicleta. Fiz compras finais. Saí para beber com uma amiga. E passei uma tarde maravilhosa com minhas primas que estavam me hospedando. Fui almoçar com elas na terça feira e depois fui conhecer o espaço onde Dulce dá aula de dança e o namorado dela, Carlos, dá aula de karate. É um espaço lindíssimo! Assisti a aula dos alunos entre 4 e 5 anos, e depois fui convidada a participar da aula dos alunos entre 8 e 12 anos. E foi tão divertido!!!! Dancei e dancei e dancei e ri muito!
Minha prima Dulce é uma pessoa encantadora que me recebeu de braços abertos na sua casa. Foi solícita e uma companhia maravilhosa no dia a dia com muitas histórias e risadas. Sua filha Cecília, uma menina de 12 anos que já está mais alta que eu, é uma fofura, e ficamos muito próximas, tanto que terça a noite ela dizia "não quero que você vá embora". As duas são uma alegria só e estão sempre dando gargalhadas felizes da vida. Família é uma coisa muito boa, e eu sempre gostei de ter família perto. Agora sinto que minha família aumentou mais ainda, e tenho duas primas que tem um pedação do meu coração! Foi recebida com muito amor! <3
Na terça fim de tarde começou a bater aquela depressãozinha de ter que ir embora. Fui beber com uma amiga para não pensar muito nisso, e o mais estranho é que quando acordei no dia seguinte a tristeza de deixar Berlim era maior do que o medo do avião. De qualquer forma tomei um frontalzinho antes de pegar os dois vôos para Nyc.
Berlim me fisgou de jeito. Tanto que cheguei em Nyc, que eu amo de paixão, e quase não senti nada. Estranho, né?! Bem aquela história: só um novo amor para curar um antigo amor. Meu novo amor tem cheiro de flor no verão, muita neve no inverno, uma primavera florida e um outono com folhas laranjas. Tem bicicletas por todos os lados, poucos carros, nenhum barulho, metro que funciona, comidas boas, pessoas legais, arte muita arte, vida noturna, vida diurna e me acolheu como poucas cidades.
Ir embora nunca é fácil. Eu tenho viajo todos os anos, e não me acostumo nunca, toda vez que vou embora de uma cidade me dá uma dorzinha no peito e uma tristeza. Dessa vez foi um pouco diferente. Me deu uma dor no peito quase que insuportável, uma saudade de uma vida que ainda nem comecei a ter, um desejo de ficar maior que em qualquer outra cidade, salvo Nyc quando vim em 2011 e não voltei. Bateu quase um arrependimento de ter marcado a vinda para Nyc, acredita? Pensei em largar todas as passagens e ficar em Berlim. Pensei em não voltar nunca mais. Deu medo de eu voltar para o Brasil e meu amor por Berlim se perder num dia a dia sem graça. E daí racionalizei: se eu ficar agora será apenas por um curto período. Se eu continuar a viagem, ir para Nyc, curtir meu aniversário lá rodeada de amigos muito queridos, voltar para o Rio e me organizar de verdade, mas de verdade mesmo, focar e traçar uma estratégia, eu volto para Berlim e não será por pouco tempo. Será uma volta mais madura, uma volta com tudo, e de preferência arranhando um alemão para não precisar perder tanto tempo com aulas de lingua e poder fazer algum curso mais bacana.
Então assim resolvido, entrei no avião rumo a Nyc! E só para constar: British airlines, eu quero morar num avião seu! Confortável, comidinha boa, tv própria com ótimos filmes, avião quase sem chacoalhar, equipe de bordo simpática, e entregaram minhas malas mesmo com conexão! Até me arrependi de ter tomado um frontal a mais e não ter curtido melhor as acomodações do avião.
E Nyc não pára nunca de me surpreender! Fui uma das primeiras a sair do avião e quase não peguei fila na imigração. Cheguei no guichê da imigração com aquele sorriso, sempre tentando ser o mais simpática possível para os caras não serem grosseiros, mas... O moço da imigração era a simpatia em pessoa! Perguntou o que eu fazia, eu disse que era figurinista (é o que consta na minha ficha do visto, então stick to the story) e ele ficou dizendo "nossa que legal, deve ser muito divertido" e eu "sim, mas trabalha-se muito também" e ele "é... mas é aquele tipo de trabalho que você nem sente que está trabalhando pois você ama muito o que faz, já não posso dizer o mesmo do meu trabalho". E perguntou "você estava na alemanha? passeando?" Eu disse que sim, que férias as vezes era bom. Ele respondeu: então curta a suas férias, e aproveite seu trabalho pois são poucas pessoas que podem fazer o que se ama". Tudo isso com o tom e o sorriso mais simpático do mundo! Peguei as malas (UFA) e fui para a alfândega, o rapaz "de onde você é?" e eu disse "Brasil" ele "deixa eu adivinhar... Florianópolis?" "Não, sou da cidade mais famosa do Brasil" "Ah! Rio de janeiro! Eu achei que os brasileiros fossem mais..." "Bronzeados? Pois é... eu não vou muito a praia" "Você mora na Alemanha?" "Não não... tava só passeando em Berlim, moro no Brasil mesmo, só não frequento muito a praia." O rapaz todo sorridente e simpático novamente me desejou uma boa estádia em Nyc e fui embora. Oi? Acho que ontem o JFK estava situado num universo paralelo. Ou então Nyc ficou com medo de me perder para Berlin e tratou de fazer sua polícia federal me tratar melhor. Mas não caprichou muito no tempo. Ou a chuva pegou carona no meu avião na escala em Londres. Chuva, vento, comprei um guarda-chuva que em 2minutos virou pra cima com o vento. Tinha esquecido já que em Nyc venta muito também.

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