sexta-feira, 7 de junho de 2013

A semana em Berlin

E quando você chega numa cidade e se sente imediatamente em casa mesmo sem falar a língua?
Berlin é uma cidade extremamente democrática, e se você quiser sair pelado com uma melancia no pescoço vai fundo que ninguém vai te julgar ou ficar olhando para você. É uma cidade onde as crianças são aceitas em qualquer restaurante, e ficam andando livremente sem que ninguém diga que aquelas crianças são mal educadas e deveriam estar sentadinhas comportadas, elas são livres e felizes e fofas demais. É uma cidade onde cachorros são extremamente educados e podem entrar em bares restaurantes e até andar de metro. É uma cidade cheia de árvores e parques, onde os carros andam devagar, não tem trânsito e não tem poluição sonora. Berlin é silenciosa, calma, mas ferve. É limpa mas  seus grafittes nas paredes dão um ar urbano. Berlin é cosmopolita, e aberta. E quem iria pensar que eu algum dia sonharia em morar na Alemanha? Confesso que nunca achei que de todas as cidades que eu fui, Berlin seria a que fizesse me sentir mais em casa. Sempre pensei que meu futuro era Londres. Mas não. Acho que meu futuro é Berlin!
Desde que Isabela foi embora, e eu fiquei solita nessa cidade, o que mais tenho feito é ido a museus e caminhado pelas ruas da cidade meio que sem rumo. Gosto de caminhar e ver a cidade como ela é. Fui ao Pergamon, ao Alte Nationalgalerie, Alte Museum, Berlinische Galerie. Andei tanto que meus dedos dos pés estão doloridos.
Quarta fui encontrar a Ursula, amiga da minha mãe que também está de passagem pela cidade. E fomos a mil galerias. Foi um passeio super gostoso e conheci uma parte da cidade que ainda não tinha explorado. Muitas das galerias ficam em prédios antigos reformados por dentro mas com o esqueleto ainda original, e tem prédios que só tem galeria. Como em qualquer lugar do mundo tinha muito arte boa e muita arte ruim. Mas valeu muito o passeio! Depois fomos no Martin-Gropius-Bau ver a exposição incrível do Anish Kapoor. E também na exposição do acervo das industrias Bayer, Von Beckmann bis Warhol, muito bacana também. Caminhei mais um pouco sozinha, fiz comprinhas, afinal de contas eu curto uma roupa boa bonita e barata e muuuuito estilosa, e é o que mais tem aqui! Até a H&M que tem em mil lugares, aqui tem peças mais estilosas e diferentes.
Quinta de manhã passeei pelo bairro onde estou hospedada, Schöneberg, e no parque que tem aqui do lado, Viktoriapark. Que delícia! Isso é realmente genial aqui que em todo lugar tem um belo parque onde todo mundo vai tomar um sol, fazer picnic, beber uma cerveja no gramado. Fiquei lá caminhando pelo parque, sentei no gramado, tomei um solzinho ouvindo música boa no meu ipod. A tarde fui com a Cecília, que tem 12 anos e é mais alta que eu, no zoológico, porque ao contrário de muita gente eu amo zoológico! E já tinham me dito que o daqui era demais. De fato é um belíssimo zoológico. E o mais engraçado de tudo é que tem uma chimpanzé chamada Bibi! O passeio foi ótimo. Minha companheira é uma gracinha de menina que fala português com muito sotaque, fofo demais. Vimos os bichos todos, tomamos sorvete, pegamos o metro e voltamos para casa. A noite encontrei a Ursula para irmos num restaurante vietnamita (que é cheio por aqui) meio badalado num bairro bacana, Mitte. Pedimos cerveja, claro, e rolinhos primavera na massa de arroz de entrada, e escolhemos um prato do dia: aspargos com camarões caramelizados, legumes e macarrão de arroz. Delícia, né?! Senão estivesse bizonhamente apimentado e tivesse deixado minha boca dormente de tão ardida. "Arroz com jasmin pelo amor de deus!" E aí consegui comer mais um pouco, pois o arroz com jasmin quebra o ardido da pimenta, além de ser maravilhoso.
Hoje está um dia lindíssimo. Tem feito dias bonitos e quentinhos. Daqui a pouco mais galerias, dessa vez a céu aberto para aproveitar o sol. A noite chega Johanna minha amiga alemã, que conheci em Nyc, e mora em Dresden. Hoje já é sexta feira e o fim de semana promete ser animado, como Berlin é!

terça-feira, 4 de junho de 2013

E foi amor a primeira vista...

Cheguei em Berlin na sexta feira a noite, bem tarde, umas 23h. Era tarde, eu não queria passar perrengue, já sabia que taxi era relativamente barato então entrei num taxi e... ops! Eu não falo alemão! Mas o rapaz falava um pouco de inglês e eu mostrei o nome da rua anotado, afinal a pronunciar Schwedter Straße não ia rolar. O trajeto foi rápido, e custou barato, 20E. O prédio era uma graça. Nos primeiros dois dias ficaria hospedada no apartamento que uma amiga do Brasil, Isabela, alugou. Parei na porta do prédio de mala e cuia e vi que aqui o interfone não tem o número do apartamento, só nome dos moradores. E agora? Liguei para o brasil e pedi "pai, entra no meu facebook pelo amor de deus e vê o que a Isabela escreveu sobre o interfone" Ele foi fofo e me ajudou, mas nas mensagens de facebook nada havia sobre isso. E estava frio e chuviscando. Ela tinha dito que o prédio era em frente a um mercado e tinha um restaurante também em frente onde ela estaria jantando e me veria quando chegasse. Não tinha nenhum dos dois. "Acho que estou no prédio errado!" Mas era exatamente o número que ela tinha me dado. Por um milagre da tecnologia eu consegui achar um wifi meio público sei lá, que me permitia entrar por 30min de graça. Salvação da pátria! Consegui me comunicar com a Isabela pelo whats app e pegar o número do prédio, que não era 245 e sim 254. Ufa!
O apartamento era lindo! Enorme. Quarto sala cozinha banheiro, mas tudo gigante e reformado lindo. Para não passar a noite em branco fomos num bar na esquina de casa badaladinho e cheio de gente interessante e bonita. Os alemãos são lindos e estilosos. Todos! É de se impressionar até.
Sábado tentamos acordar cedo, mas foi difícil. E estava um tempinho nublado feinho demais. Saímos para tomar café já depois de 13h, e depois fomos nos encaminhando para perto do bar que iríamos tomar uma cerveja no final da tarde, Club der Visionaere. Passeamos pela margem do canal, por um parque, por ruas lindas. Chegamos no bar, um deck dentro do canal, um ambiente gostoso de fim de tarde. Bateu uma fominha atravessamos o canal e almoçamos num restaurante também dentro do canal, comida vegetariana deliciosa. Voltamos pro bar, afinal a noite estava só começando e o bar enchendo cada vez mais. Conhecemos um grupo enorme de franceses que também estavam aqui a passeio, e depois de algumas horas fomos todos para uma boate lá perto, imensa enfumaçada escura e divertidíssima, bem no estilo underground alemão.
Domingo era dia de mudança. Isabela ia embora domingo de manhã, mas seu vôo deu overbook e ela só foi segunda. Então nós duas nos mudamos para a casa da Dulce, prima de são paulo que mora aqui em Berlin há 12anos e na europa há 28. Dessa vez chegamos no lugar certo, mas a Dulce não ouvia o interfone. Frio e chuva. Um pub na esquina foi o salvador da pátria dessa vez, tomamos um café quentinho e pedimos para usar o telefone. Conseguimos contato com a Dulce e ela veio abrir a porta. Ufa de novo!
Ela estava tendo uma festinha em casa, café da manhã com o pessoal que mora no prédio. Esse prédio em que ela mora foram eles que construíram. Esse grupo de pessoas se juntou, fez o projeto e construiu o prédio, que é maravilhoso! Parece que isso é super comum agora, e fica muito mais barato que comprar um pronto. O prédio então tem toda uma preocupação ecológica, e os apartamentos são grandes e amplos, com uma varanda deliciosa. Aqui a maioria dos prédios tem varanda, o que dá um charme maior a cidade, principalmente agora na primavera em que todos tem flores na varanda.
Depois do café da manhã a Dulce nos levou para passear em Kreuzberg. Depois eu e Isabela ficamos andando por lá, sentamos num bar, bebemos weise bier, andamos mais um pouco, entramos numa galeria que estava tendo um happening com performances e você pagava o quanto queria por drinks, voltamos a andar e acabamos no mesmo bar do dia anterior que era agradável.
Isabela foi embora na madrugada de domingo para segunda, e eu fiquei saudosa. Mas... Berlin está aqui e eu vou desbravar essa cidade.
Saí de casa segunda depois do almoço. Como anoitece super tarde não vejo tanta necessidade em sair de casa super cedo. E como aqui todos os museus e afins são pagos e não são baratos, almoçar em casa economiza. Peguei o metro em direção a Berlinische Galerie. Saltei do trem e fui na direção meio errada, mas berlin é muito bem sinalizado, e eu, uma moça tecnológica, havia baixado um aplicativo para celular que é um mapa de berlin offline que me acha pelo meu gps. Demais! Estava tranquila em me perder um pouco, mas me achei e fui na Galerie que incrível. Depois CheckPoint Charlie, aonde era abertura do muro e quem quisesse atravessar tinha que parar ali e pedir permissão. Estranho demais ser um ponto turístico, mas é. E continuei minha caminhada. Portão de Brandeburgo, Estátua o Anjo da Vitória, e um pouco do Tiergarten. Minha pernoca começou a doer e caminhei para o metro mais próximo, me achei nessas mil linhas de metro, e consegui chegar em casa rápido e sem me perder. Já estou me sentindo em casa em Berlin! E completamente apaixonada por essa cidade. E na última vez que isso aconteceu nessa escala eu fiquei 6meses... Quem sabe?

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Sintra, castelos e o último dia

Em Lisboa venta tanto que você acha que vai voar.  O vento é constante e não há como falar de Lisboa sem falar em vento. E da Torre de Belém!
Fui a Belém já no final da tarde e tive que correr um pouco para conseguir ver no mínimo a Torre e o Mosteiro dos Jeronimos. Mas antes de começar o passeio, um pastelzinho de belém por favor! rs
Comecei pelo mosteiro, que é realmente muito bonito mas não me pegou, sabe? Mas a Torre... é linda demais. Senão tivesse chegado tão tarde, e não estivesse chuviscando, teria ficado lá horas olhando cada detalhe e a vista para o rio Tejo. A chuva foi aumentando e como já eram mais de 18h tudo já estava fechando, não consegui ver mais nada peguei um ônibus e fui tomar vinho perto de casa.
No dia seguinte acordei cedo, peguei um comboio e fui para Sintra. Cheguei em Sintra, meio perdida, não sabia muito o que ia encontrar por lá, pedi informação (eu e milhões de turistas) e decidi ir conhecer primeiro o Castelo dos Mouros que eu tinha certeza que seria o que eu mais iria gostar. E batata! Aqueles muros e torres, aquela vista, aquele verde, me tiraram o fôlego! e novamente voltei a ser criança brincando de princesa no castelo imaginário, e me sentindo dentro de Game of Thrones. Teria ficado umas mil horas lá também se... não estivesse, claro, ventando muiiiito! Sintra é na serra, quase uma Petrópolis, então imaginem o frio que faz lá. Depois de quase ser jogada para fora dos muros do Castelo dos Mouros pelo vento, achei que o mais sensato era continuar meu passeio e fui andando em direção do Palácio da Pena. 50 milhões de turistas! Mas o Palácio e os jardins são bonitos demais! Só as fotos que ficam cheias de gente desconhecida, mas tudo bem. Os detalhes de decoração do palácio me encantaram, e eu adoro ver como viviam as pessoas em tempos passados, e nesse palácio pelo visto viviam muito bem. Paredes decoradas com tecidos ou belíssimos azulejos, quartos, salas, casas de banho, tudo belíssimo e interessante. Pensei em de lá seguir para o Chalet da Condessa, que me falaram muito bem, mas quando perguntei para o guarda do palácio como fazia para chegar lá ele me disse: não tem ônibus, tens que andar e é uns 40 minutos de caminhada. Ok, a noção dos portugueses de distância é muito diferente da nossa, e quando você fala que vai fazer alguma coisa andando eles dizem que não dá que é muito longe, mas você vai mesmo assim porque o muito longe é andar 10minutos. Mas... 40minutos achei que mesmo na noção deturpada dos portugueses era minuto para caramba, e naquele vento frio não ia rolar. Peguei o ônibus de volta para o centro de Sintra e almocei por lá num café delicioso, e baratíssimo, um menu do dia com sopa suco de frutas e um prato vegetariano ovos mexidos com aspargos e salada, tudo isso pela bagatela de 5euros! Voltei dormindo no comboio que nem criança depois de um longo passeio e um almoço delicioso.
Aquela seria minha última noite em Lisboa, então a noite é uma criança! Fui jantar numa hamburgueria perto da praça do Chiado com Camila Joanna e Rômulo. Hamburguer e vinho, afinal estamos em Portugal e eu quero mais é beber vinho! Conversamos e rimos muito! O último jantar não poderia ser melhor. Mas... não queria parar a noite ali e eu e Camila fomos a um bar beber mais um vinhozinho e jogar conversa fora.
Chegou o último dia em Lisboa! Passou rápido demais... mas eu ainda tinha algumas horinhas então fui no Jardim das Amoreiras e no Museu Mãe d'Água das Amoreiras, o local de abastecimento de água histórico da cidade que virou um museu e é lindo. E lá do alto dele tem um miradouro lindo!
Almocei num restaurante austríaco no Chiado e saí correndo para o aeroporto pois já estava atrasada. Peguei um taxi, que não me enrolou dessa vez, e paguei a metade do que havia pagado no taxi da vinda hahahahhaha. Tomei meio frontal, entrei no avião, 1:30 de vôo, cheguei em Palma de Mallorca, esperei 1h entrei num novo avião, dormi que foi uma beleza, e finalmente cheguei em Berlin. Mas Berlin é assunto para um outro post.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Cascais e as memórias...

Quando eu era criança minha avó nos levava num sítio em Friburgo de uma amiga dela portuguesa residente do Rio de Janeiro. Ia aquele bando de crianças, amontoados no carro ou no ônibus, para passarmos uns dias naquele local bucólico e mágico. De vez enquando chovia e o carro atolava na entrada que era de terra, e tínhamos todos que colocar sacos no pé e irmos andando para a casa com lama até o joelho. A casa era branca com janelas azuis e um jardim florido por onde corríamos, subíamos em árvores pedras, brincávamos cantávamos e sorríamos. A noite a brincadeira era gato mia miou com as luzes apagadas, e dormíamos todas na sala numa enoooorme cama feita no chão.
Na hora do lanche a portuguesa fazia um delicioso bolo de banana (que eu amava) e sentávamos todos em volta da mesa. Eu gostava de sentar do lado daquela moça de sotaque engraçado e ouvir ela contar histórias. Ela passava 6 meses no Rio/Friburgo e 6meses em Portugal, sempre fugindo dos invernos. Ela se hospedava na casa da minha avó no Rio e sempre que voltava de Portugal trazia chocolates e histórias de suas viagens. Eu ouvia encantada tudo que ela tinha para contar de cada lugar, e ficava sonhando com o dia em que eu faria essas viagens.
Hoje estou aqui na sua terrinha, e fui passar o dia com ela na cidade de Cascais, onde ela mora. Uma pequena cidade de praia, um balneário. Nos encontramos em Lisboa e pegamos um comboio (trem em português português rs). No caminho fomos conversando sobre sua última viagem, um cruzeiro para os países nórdicos. A viagem não é muito longa, uns 50minutos no comboio. Chegando em Cascais andamos um pouco pelo centro e demos uma espiada nas praias. Fomos almoçar num lugarzinho gostoso que ela costuma a ir, e depois pegamos um ônibus e subimos para a casa dela. Ela mora na parte nova da cidade, prédios parecidinhos, casas bonitas, jardins e uma vida simples mas muito agradável. O apartamento de 2 quartos (um para ela e um para neta quando vai nos fins de semana) é grande e gostoso, claro e ensolarado decorado com objetos adquiridos pelo mundo a fora. Logo embaixo um mercadinho onde ela compra todo dia seu pão, pastel de nata e ás vezes uma sopa para esquentar, e onde compramos nosso lanche da tarde. Andamos muitos por lá, sentamos num café com uma vista surreal para o mar, e ficamos conversando sobre nossas viagens passadas e futuras. Guida me contou mais sobre sua vida. Como o pai a criou meio como menino, e a levava para passear de barco e deixou ela viajar com 18 anos de mochilão pela Europa com uma amiga, algo impensável para época. Contou sobre seu mestrado em literatura, os 6 meses que passou em Colônia e os 6 meses que passou em Londres. Contou também o carinho especial que tem pela minha avó, sua melhor amiga, e meus olhos encheram d'água.
No final do dia tomamos chá na sua casa com pãozinho, queijos deliciosos e um pastel de nata que eu poderia comer uns 50 de tão bom, tudo ali do mercadinho em baixo da sua casa. Falamos sobre minha avó e meu avô, histórias e mais histórias, viagens e mais viagens. Guida é uma mulher vivida, viajada e alegre. Hoje foi um dia tão gostoso com uma pessoa que está do lado esquerdo do meu coração desde que me entendo por gente. E me deixa feliz e emocionada de ter conhecido sua vida do lado de cá do oceano, e poder, agora, ver o quanto eu estou realizando aquele sonho de menina de viajar como aquela moça do sotaque engraçado. Sexta feira eu sigo para Berlin e Guida segue para Turquía, e em outubro vamos nos reencontrar no Rio e partilhar mais de nossas viagens com um belo chá chocolates e minha avó ao nosso lado para nos dar mais alegria.
Cascais é uma cidade lindinha, com praias bonitas e um mar que dá vontade de morar lá dentro! No verão deve ser um escândalo!
Hoje me deu saudade das primas no sítio, do bolo de banana, da minha avó, e do meu amado avô! E voltei no comboio sorridente e com os olhos cheios d'água das memórias boas que tenho com todos eles e das histórias que terei para contar pros meus filhos e netos e amigos de netos das minhas aventuras mundo a fora, assim como a Guida.

Lisboa, ó menina!

Lisboa é uma bela cidade. Vou começar esse post constatando o quão bela é Lisboa. Mas agora vamos aos fatos.
Cheguei aqui na sexta tarde da noite, e depois de um cansativo dia de viagem não tinha energia para mais nada. Além disso não via minha amiga Camila, que está me hospedando, há mais de 1 ano, então precisávamos colocar a conversa em dia e foi isso que fizemos.
Sábado amanheceu um lindo sol e calor! Calor para os Liboetas, para nós calorzinho de inverno, sabe? Um casal de amigos da família me ligou e disse: hoje está calor, queremos pegar uma praiana, anima? Eu, uma turista facinha facinha, respondi animadíssima "claro! praiana portuguesa, vamos lá!'. A Camila tinha uma questão familiar em Porto, que é umas 3h de carro daqui, e não ia poder me levar para passear, mas achou que eu estava indo para uma grande roubada "uma carioca indo a praia em Lisboa?" Sim! Eu não sou grande frequentadora da praia no Rio, achei um belo programa de sábado, começar a viagem pegando uma corzinha e dando um mergulho. Até fiquei ligeiramente vermelhinha no rosto, mas o mergulho... vai ter que ficar para o Rio mesmo porque a água aqui é congelante! Mal consegui colocar o pézinho. A praia era bonita. A companhia foi excelente!
Domingo foi dia de caminhar pela cidade. Fui ao Panteão, uma bela igreja com uma vista espetacular. Andei pela Praça do Comércio, vi onde aos naos paravam quando chegavam em Lisboa, o palácio onde residia o rei, e caminhei caminhei caminhei com a Camila que precisava resolver algumas coisinhas. A noite fomos num restaurante chamado Sea Me, uma peixaria peixaria moderna onde você pode, se quiser, comprar o kg do peixe e eles prepararem. Eu escolhi um prato do cardápio mesmo, achei mais simples, e estava uma delícia.
Venta muito aqui em Lisboa! Um vento surreal que quase te derruba no chão. E é um vento gelado, não há casaco que segure, pelo menos não para uma carioca mal acostumada. Mas no sol faz bastante calor, e é seco seco.
Segunda-feira o dia esfriou um pouco, saí sozinha de casacão e blusa de manga comprida, mas a tarde ficou muito calor, e a noite frio de novo. Fui ao Elevador Sante Justa, que te leva para um belo miradouro. Atravessando uma passarela tem um convento em ruínas lindo, mas ontem estava fechado então não pude entrar. Depois almocei com a Camila num lugar fofo chamado Fábula, com uma estante bela de livros e mesas e cadeiras antigas. E de lá segui para o Castelo de São Jorge.
Quando eu era criança adorava história de castelos e princesas e cavaleiros e reis e rainhas e dragões e espadas. Amava ficar pensando nas roupas e na decoração dos castelos. Mesmo uma mulher feita, não há nada que me fascina mais do que ir a museus de costumes e castelos. O Castelo de São Jorge é uma ruína, pouco do verdadeiro castelo sobrou ali. Mas seus muros e torres estão de pé e te dão uma noção de como era antigamente, e claro, você usa sua imaginação para ligar os pontos e construí-lo em sua cabeça (e brincar um pouco de Game of Thrones, o seriado para adultos que foram crianças como eu).
A caminho do Castelo parei nos Portões do Sol. Um belo miradouro! E fui caminhando para o castelo, mas... não achava! E pensava "como um castelo pode sumir assim?" E pode! Toda a vez que viajo vejo como o Rio de Janeiro é bem sinalizado. Andei para o lado que achava que deveria. Como uma boa viajante solitária, e uma pessoa que curte mapas, eu já tinha o mapa de Lisboa na minha cabeça e total senso direção, subi para o lado que achei que deveria. Mas Lisboa apesar de uma cidade fácil de se andar (como o Rio você pode sempre se guiar pelo mar, no caso aqui pelo rio Tejo) não é tão obvia, e suas ruelas e ladeiras lhe confundem. Subi pra um lado e nada de Castelo e nada de turistas. Opa! Centro turístico, se afastou dos turistas, volta! Lição que um carioca dá a um gringo na cidade maravilhosa, e que eu sempre tento segui-la, afinal já tive más experiências em viagens e pretendo não ter novamente. Lisboa é uma cidade bem segura, mesmo! Mas eu prefiro não pagar para ver. Ainda assim entrei numa ruela e em outra sozinha e acabei achando o belo Castelo.
Fim de tarde um encontro com a Joanna, prima da prima, que mora aqui há quatro anos mas fala sem o menor sotaque português, e com muito orgulho segundo ela. Me levou para comer pão de deus na Padaria Portuguesa (ai minha dieta), um pão doce com um pouco de coco delicioso. Depois ela me levou num... Miradouro!
Agora um parênteses para falar sobre essa peculiaridade Lisboeta. É assim: um monumento um miradouro, um elevador um miradouro, uma praça um miradouro, uma igreja um miradouro, um bar um miradouro. E assim vai se passeando e vendo as diversas vistas, não tão diversas assim, mas lindas de Lisboa e suas 7 colinas.
Voltando a programação do dia de ontem, fomos ao miradouro de São Pedro de Alcântara, vista linda para a cidade e o castelo, e depois num bar/restaurante Lost In, com uma vista linda e uma decoração incrível meio indiana meio sei lá o que, com grandes varandas e mesas e bancos e sofás que são camas partidas ao meio. Uma cervejinha com uma cia agradabilíssima para fechar o dia com chave de ouro!

sábado, 25 de maio de 2013

O Medo e Madrid

Realmente medo é uma coisa totalmente irracional que te leva aos pensamentos mais mórbidos e te paralisa. Quinta-feira meu medo quase me paralisou. De repente me peguei aos prantos porque teria que entrar num avião mais tarde naquele dia, e durante toda a viagem terei de entrar em 7aviões. Liguei para pai, mãe, que me acalmaram um pouco. E por muitos momentos durante essas horas de pânico eu quase desistir de viajar. Mas pensava também, que se desistisse nunca mais me perdoaria, e que se desistisse dessa vez quando mais eu teria coragem de entrar novamente num avião? Meu pai falou: minha filha, a cabeça vai caraminholando mesmo, pensa em outras coisas senão o medo domina o pensamento. Minha mãe falou: não se entregue para o medo! E foi lá no aeroporto me deixar. Eu grogue de remédio já, mas foi tão importante ela ter ido... Acho que sozinha num taxi eu teria desistido e voltado. Mas ela não me deixou desistir! Não deixou eu me entregar ao medo! (obrigada mãe! E obrigada pai também que falou palavras reconfortantes ao telefone).
Entrei no avião grogue grogue que não vi o avião subir. Acordei já lá em cima com um simpático companheiro de viagem que puxou papo e conversamos até depois do jantar, quando eu apaguei e só acordei com a aeromoça me cutucando para me servir o café da manhã, péssimo diga-se de passagem! E o mais engraçado é que percebi que o rapaz sentado ao meu lado, que se assumiu claustrofóbico, estava mais nervoso do que eu. Santo frontal!
Cheguei sã e salva em Madrid! Linda Madrid... Fui direto a casa de Josy e passei o dia com ela. Não fiz nada turístico, afinal de contas já conhecia Madrid. Mas Josy fez o dia mais agradável possível e me levou para almoçar a beira de um rio. Frio na sombra calorão no sol, o céu estava azul e o dia belíssimo! Matei um pouco a saudade da minha irmã do coração, e da bela Madrid. Bebi tinto de verano e comi paella.
Voltei para o aeroporto sem remédio, mas com um pouco de vinho atuando na mente (outro santo remédio). Deu medinho no avião mas o vôo foi tão curtinho que nem deu tempo do pânico tomar conta, ou eu que já tinha dominado o medo.
Opá, Lisboa!!!
Peguei um taxi do aeroporto e... levei um volta do taxista. Camila já tinha me avisado, mas eu quando entrei no taxi não vi o taxímetro, e era um senhor muito educado que colocou no gps a rua que eu ia e eu vi que ele estava seguindo o caminho do Gps direitinho, então não me preocupei. Mas daí quando ele me cobrou, ulalá! 23euros! E a Camila tinha me dito que era no máximo 15euros. Mas eu fiquei meio assim de já sair discutindo uma coisa que eu nem tinha certeza, deixei quieto e paguei os 23euros. Paciência... lição aprendida! Taxistas na terrinha são uns bons de uns biscos!

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Roma parte 3 Londres parte 1


Sábado eu e Elisa decidimos fazer um almocinho italiano em casa com erva doce que eles comem muuuuito aqui. Depois fomos a uma exposição de figurinos de grandes estilistas para peças, óperas filmes e etc. Lindíssima! Muita sorte ter achado essa expo aqui. Após a expo, saímos andando pelas ruas e nos perdemos numa super promoção de sutiens numa loja enooorme só de underwear. Um experiência quase antropológica! Mil italianas correndo e se debatendo pelos sutiens que estavam custando a bagatela de 5euros. Claro que eu e Elisa não resistimos e fizemos algumas comprinhas. 

Fim de tarde fomos para o aperitivo, que é sair para beber antes do jantar. E a noite fomos jantar na casa de um casal de amigos da Elisa. Risoto com zuchinni mega picante, eles comem tudo com muita pimenta calabresa. Saí de lá soltando fogo pelas ventas!!! Depois jantar decidimos jogar um jogo: Trivia Quiz em Itáliano! É tipo um master, jogo de perguntas e respostas. Nos dividimos em grupos e o meu grupo era das brasileiras: eu, Elisa e Juju. Aí testei minha grande sabedoria da língua italiana. Não sei como, nem porque, nem quando e nem onde, mas eu aprendi italiano! Pasmem!!! Eu entendia todas as perguntas! e tudo que eles falavam! Só uma palavra ou outra que eu perdia. A Elisa ficou revoltada perguntando como eu já conseguia entender tudo, que ela tinha demorado meses para aprender. Eu respondi: nem eu sei Elisa! Deve ter entrado por osmose ou sei lá! O fato é que se eu ficasse mais umas semaninhas já estaria parlando italiano! 

Domingo fui na Galleria Borghese, um museu na casa da família Borghese que eu não sei quem foram porque não tinha nada explicativo sobre a família no museu, ou eu não vi. O museu é muuuito bonito! A casa é incrível. Um jardim lindo. Muitas obras bacanas, como as esculturas de Bernini, alguns quadros do Caravaggio.

De noite minhas amadas italianas me levaram para jantar num restaurante de frutos do mar do lado de casa.
No dia seguinte peguei o trem para o aeroporto. Minha querida anfritriã me levou até o trem onde nos despedimos num caloroso e já saudoso abraço. 
Cheguei no aeroporto e fui fazer o check in na British Airways. Cheguei às 17:45, 1h antes do meu voo, e o check in já estava fechando! Os caras nem colocaram minha mala na esteira, já saíram levando ela de carrinho pro avião. Tive que sair correndo porque o gate fechava às 18:10. Peguei uma puta fila na migração, um trem pra chegar no gate (esses europeus adoram trem dentro dos aeroportos rs) e quando finalmente cheguei no gate eles estava chamando meu nome e de um outro cara: Gregório e Fulano, last call! Eu e o tal fulando saímos correndo que nem dois loucos. Ufa! entrei no avião!!! Pra que? Pra ficar uma meia hora esperando dentro do avião!!! Esses ingleses são pisicos com horário!!! 
O início do vôo foi uma merda! Uma puta turbulência, avião caindo no vácuo. Eu quase histérica! Tive que tomar rivotril, não teve jeito. Juro que tentei ficar sem, mas do jeito que aquela jeringonça chacoalhava não deu pra não tomar. Passada a turbulencia fui assistindo um filme numa tv própria na frente da minha poltrona. Um luxo essa british!!!

Cheguei em Londres mas... minhas malas gostaram muito de Roma e decidiram ficar lá mais um diazinho. Eu fiz a reclamação e eles na mesma hora localizaram ela. Fui para casa do Dimitri de mãos abanando. rs Pelo menos passei menos perrengue no metro. Cheguei no Dimitri, estavam todos em casa me esperando, inclusive Manu que veio me encontrar aqui. 

Ontem eu e Manu fomos na Tate Modern, passando um friiiiio na rua! Depois fomos em Covent Garden fazer compras já que meu seguro saúde dava seguro de mala perdida atrasada e extaviada, então tinha 145 euros pra shopping! Fiz a festa na H&M!!! rs

Voltamos pra casa do Dimitri e dormimos mais uma noite lá. Hoje trocamos de casa e viemos pra casa do meu amigo de escola Gilles, que num bairro muito gostoso com aquelas casinhas típicas inglesas. Hoje de manhã estava 4graus! Mas um sol e um céu lindos!!! O fog inglês deu uma trega para eu Manu passearmos em paz. rs

Estou adorando Londres!!! E minha companheira de viagem!